I SEMINÁRIO ENTREMÉDIUNS

MEDIUNIDADE COM QUALIDADE

DESTAQUES PARA ESTUDIOSOS E PRATICANTES DA MEDIUNIDADE

Liszt Rangel:

Recomendou a pureza doutrinária, com base nas obras da codificação (espiritizar, termo dado por Jaci Melo). Não se deve querer inventar nada. Tudo o que inovar deve ser comprovado, com todo o critério, tal como foi feito por Allan Kardec, que procurava saber o porquê das coisas. Temos que ampliar os conhecimentos. Verificar como as informações foram construídas. Precisamos voltar aos princípios básicos e observar como foram construídos.

-Os grupos de estudos têm que ser comprometidos, terem perseverança e empatia com os outros companheiros, devendo, ainda, expressarem um todo homogêneo. Quando as pessoas são antipáticas, é porque guardam mágoas umas das outras, ficando o convívio muito difícil. Surgem, durante o desenvolvimento mediúnico, vários sentimentos, como amizade, fraternidade, recolhimento, egoísmo, vaidade, personalismo. Uma pessoa pode não gostar de outra, mas deve respeitá-la pela sua dedicação. Por vezes, são lançados anátemas contra alguns, porque discordamos deles. O ideal deve estar à frente de nossas questões pessoais. Os laços devem ser fortalecidos, para atrair bons Espíritos e dar origem a reuniões produtivas e de qualidade. Devemos perguntar: Nossa reunião pode melhorar? No que pode melhorar?

– Podem ser utilizados médiuns iniciantes, em mistura com os experientes. Recomendou que se tivesse cuidado com os médiuns do tipo Michael Schumacher (heptacampeão de Fórmula 1), que são impacientes e querem largar sempre na frente.

– Os Espíritos inferiores ou enfermos buscam comunicar-se através dos médiuns iniciantes.

– Nas comunicações de Espíritos mais atrasados ou sofredores, há médiuns que sentem dores de cabeça, irritação, náusea, etc., que refletem aquilo que a entidade comunicante está sentindo. Quando se tratam de Espíritos mais adiantados, as sensações diferem daquelas já citadas, desfrutando o médium de alegria, revigoramento, bom humor, e de outras coisas agradáveis, assim como, pode contemplar paisagens de rara beleza e receber sugestões mentais de coisas elevadas.

– Os Espíritos associam-se aos médiuns, com horas ou dias que antecedem as reuniões mediúnicas. São necessárias 72 h para que ocorra uma desintoxicação etílica do médium e é exatamente nesse intervalo de tempo que ele deve se resguardar de bebidas alcoólicas, para não impregnar seu campo perispiritual, de álcool. O médium invigilante e que não se dedica à sua sublime tarefa, deixa de receber auxílio da espiritualidade.

– Há os chamados médiuns turistas, que aparecem, esporadicamente, às reuniões mediúnicas. É preciso que o médium esteja integrado à Casa e que estude e conheça a doutrina.

– Às vezes, uma pessoa procura o Atendimento Fraterno, para resolver um problema familiar. Trata-se de sua esposa, que está cheia de problemas, mas que não quer ir até o Centro para tentar resolvê-los. Não podemos, de forma alguma, carregar a cruz de ninguém. Devemos orar e vibrar por ela, até que aceite vir tratar-se.

– Qualificar: Boa vontade só, não basta (de gente de boa vontade, o inferno –umbral- está cheio). São necessários: consciência, conhecimento e capacitação.

-Humanizar: Solidariedade/altruísmo; educação emocional para a humanidade.

Comportamento na mesa mediúnica: Havia uma médium que tinha algo no seu sistema nervoso, pois ficava o tempo todo balançando as pernas. Nas fases de nervosismo, fazia batucada na mesa, quebrando a concentração e espantando os Espíritos. Existe o médium Afrim (remédio descongestionante nasal), pois incorpora fungando, tal como se o Espírito entrasse pelo nariz. Não há necessidade disso, pois se trata de cacoete de médium. É vício e deve ser combatido pelo próprio médium. O processo de comunicação deve ocorrer de forma velada, sem estardalhaço. Há casos em que o Centro Espírita mais parece um laboratório de loucos. Viu médium jogando-se e contorcendo-se no chão, tendo sido dito que procedia de terreiro de macumba. O médium tem que se educar. Não pode ser o oposto. Há, ainda, os chamados médiuns camisa-de-força, que fica trancando o Espírito e não solta, de modo que fica passando mal. Este tem que tomar passe.

● Planejar: Objetivos e benefícios: Dentre os objetivos das comunicações espirituais, estão o de instruir-se com os ensinamentos dos Espíritos, o conhecimento de que a morte não é o fim e o de consolar, para melhorar-se como indivíduo.

Fazer: Procedimentos e treinamento: Cada um tem que ter sua função específica. Não pode ser médium do tipo bombril, com 1001 utilidades.

Avaliar: Quem faz; O produto. Tem por finalidade verificar como a reunião pode ser melhorada e se atingiu os objetivos. A reunião de avaliação tem que ser realizada em sala diferente daquela em que ocorreu a reunião mediúnica, porque a mesma está impregnada das vibrações dos Espíritos comunicantes, que ainda permanecem por ali. Os participantes devem narrar o que sentiram e como se relacionaram com o fenômeno. Pode ser perguntado se conseguiu concentrar-se. Durante a comunicação, o doutrinador jamais deve tocar o médium. Este tem que ser um bom instrumento. Com relação aos médiuns de apoio ou assistentes, se estiverem com algum tipo de problema que perturbe a formação da corrente fluídica, não devem permanecer no recinto. Deve-se trabalhar com qualidade, sem desequilíbrios emocionais.

-Precisamos confiar nas pessoas, não apenas contar com elas. É inadmissível a formação de grupinhos, clubinhos de bairro ou panelinhas. Isso não se coaduna com os princípios doutrinários espíritas. Tem-se que lutar pela democratização do conhecimento. O poder não está em A ou B, ou em instituição alguma. Tudo deve ser discutido. É preciso formar líderes e trabalhadores conscientes.

1. Padrões de Qualidade Inerentes à Organização

● Privacidade: As reuniões mediúnicas não podem ser abertas ao público, porque isso pode traumatizar algum assistente, ao saber que seu obsessor está-se vingando de algo terrível que ele lhe fez, por exemplo. A equipe deve manter-se sempre a mesma, sem flutuações sensíveis, sendo aceitos, apenas, alguns iniciantes juntamente com a maioria de médiuns mais experientes. Pode participar convidado, em condições de assistir à reunião, com o objetivo de aprender como ela se desenvolve, de modo a inspirar-se no modelo, para levá-lo a outra Casa. Não há bases doutrinárias para se fazer uma reunião mediúnica aberta. O Espiritismo é tal qual uma mãe que nos deu uma nova vida.

● Reunião de desobsessão: Objetiva o diálogo com os Espíritos que estão obsedando outrem, visando seu convencimento da necessidade de não mais prosseguirem com seus intuitos de vingança ou de rancor.

● Reunião de consulta: Ocorre quando o paciente conversa com a entidade. Esse tipo de reunião não é aceitável, porque o interessado pode sair da mesma traumatizado, impressionado. Há outro tipo de atitude, que pode ser considerada até mesmo um surto psicótico-coletivo, que se concretiza através do toque físico do paciente no médium, a fim de passar para este o Espírito que o está obsedando. Isso é, simplesmente, ridículo.

● Médium charlatão: Tomou conhecimento de um médium que prometeu curar uma pessoa com câncer, já com metástase. O doente acabou desencarnando. Os familiares do mesmo, em plena reunião pública, desmoralizaram o referido médium.

● Ambiente adequado: Exclusivo ou para atividades afins; protegido, vibratoriamente confortável. A sala deve ficar reservada só para a atividade mediúnica ou atividades correlatas, não devendo ser utilizada, por exemplo, para um bazar. Tudo deve ser preparado previamente.

Seleção criteriosa da equipe: Valor moral; conhecimento doutrinário e evangélico; integração e convicção espírita; compromisso com a mediunidade-saúde. Cada escolhido deve passar por um período de conscientização e de transformação. Deve-se evitar o recrutamento de médiuns que tomem medicamentos controlados, que tenham distúrbios neurológicos do tipo epilepsia. A mediunidade mexe com o sistema nervoso central, sendo necessário que o médium, para bem desempenhar suas atividades mediúnicas, tenha sua saúde em equilíbrio, não podendo ter qualquer distúrbio ou transtorno mental. Primeiro deverá fazer um ajuste neurológico, para que tenha condições do exercício da mediunidade. O item 222 de O Livro dos Médiuns, cita pessoas com idéias excêntricas, como uma causa impeditiva da prática da mediunidade. De certo modo, os esquizofrênicos são médiuns obsedados. Sabe-se que todo médium poderá manter contato com Espíritos desequilibrados, assim, se o médium também estiver com problemas dessa ordem, esses problemas poderão ser potencializados, prejudicando-o, ao agravar-lhe a disfunção neurológica. Por tudo isso, deve-se ter prudência na inserção desses médiuns. Quem sofre de depressão, transtorno do pânico e disfunção de natureza energética, tem que se reequilibrar. É preciso repouso. Nos dias das reuniões mediúnicas, o médium não deve exceder-se em sua alimentação, mas não pode ir com fome. Devem ser evitados certos alimentos condimentados, que possam impregnar o perispírito do médium com seu cheiro. Um médium foi dar um passe e após havê-lo ministrado, a pessoa que o recebeu perguntou-lhe se havia comido ovos. Sabia, inclusive, que tinham sido ovos cozidos. O médium, surpreso, respondeu-lhe que sim e perguntou-lhe como soubera que havia comido ovos cozidos. O beneficiário do passe respondeu que ficara com gosto de ovos cozidos na boca, após receber o passe. O passe é uma transfusão fluídica, através do perispírito do passista. É preciso que façamos abstinência de certos alimentos e bebidas alcoólicas. Quem deve selecionar? O próprio médium, após haver estudado e se preparado, é quem tem condições de dizer se está apto a desenvolver atividades mediúnicas. É preciso desmistificar a mediunidade, culpando-a por tudo o que nos acontece, até mesmo uma perna quebrada, por exemplo.

● Comunicações espontâneas: São aquelas programadas pelos mentores espirituais. Kardec evocava os Espíritos, que tivessem condições de saber o que desejava, para fins de experiência e de pesquisa, porque tinha uma missão a cumprir, qual seja, a codificação da doutrina espírita. O Espírito vai-se utilizar de um médium, segundo suas aptidões. Nenhum dos Espíritos, que se comunicam, tem conhecimento absoluto. Seu saber é relativo ao grau evolutivo em que se encontra. Os Espíritos amigos mantêm uma relação de afinidade básica. Os Espíritos, conforme seu adiantamento, adentram a psicosfera terrestre, com dificuldade, porque a Terra é um dos mundos mais atrasados. Se nas comunicações mediúnicas são tratadas futilidades, é porque existe afinidade com Espíritos vulgares. A oração é muito importante, considerando-se que estamos sob a investida de Espíritos obsessores. É preciso cuidado com certas práticas, que não correspondem àquilo que Kardec nos legou, através das obras básicas, como por exemplo: dar as mãos para fechar a corrente; acender velas para os Espíritos que estão nas trevas; trazer fotos de pacientes para serem tratados por meio de vibrações, etc. As evocações têm pontos bons e negativos. Quem garante que o Espírito evocado está presente? Pode muito bem aparecer um mistificador, fazendo-se passar pelo Espírito evocado.

● Regularidade das reuniões: Devem ser feitas sempre no mesmo dia e horário. Devem ser evitadas reuniões extemporâneas, pois os Espíritos não estão, todo o tempo, à nossa disposição. Quem disse que os Espíritos estarão presentes, fora do dia de funcionamento regular das reuniões: A pontualidade é importante, porém sem um rigor excessivo. Quanto mais evoluídos os Espíritos, mais trabalhos têm para fazer.

● Critério para a formação de novos grupos: Demanda de candidatos em condições; disponibilidade de dirigentes capazes; espaço disponível; razão da reunião (objetivos).

2. Noções de Vivência Mediúnica

P1. A faculdade mediúnica é do Espírito ou do corpo? É do Espírito, mas depende do organismo (item 159, do LM), pois o homem é um ser integral. Lavar o rosto antes da reunião e ficar em pé durante a mesma, são medidas que visam minimizar a sonolência. O desajuste é nosso e sofre a influência dos Espíritos. O investimento deles é maciço, para incentivar o desânimo e ampliar o desajuste neurológico. Tais problemas têm que ser enfrentados, evitando-se colocar a sujeira debaixo do tapete. Quando os médiuns ficam irritados, é sinal de que existe algum desajuste comportamental, que se reflete na estrutura neurológica.

Dá-se uma desaceleração dos ritmos biológicos: caem os batimentos cardíacos; cai a pressão sanguínea. A comunicação mediúnica recebe a contribuição do médium, do inconsciente para o consciente. Não existe comunicação mediúnica pura, pois sempre haverá a participação do médium (animismo).. Médium é todo aquele que sente em um grau qualquer a influência (sensorial, telepática) dos Espíritos. Na realidade, é chamado mesmo de médium, aquele em que a faculdade está bem caracterizada (ostensiva). Todos são mais ou menos médiuns..

P2. Para que servem os sofrimentos que acompanham a mediunidade? São inerentes aos médiuns. No nosso nível, somos indivíduos de provas e expiações. São caminhos tortuosos. Carregam sofrimentos familiares, inerentes ao nosso nível evolutivo. São permitidos, para promovê-lo. Conosco não é diferente. Somos mais exigidos, porque temos conhecimentos.

P3. Que acontece se o médium desistir? Depende do que ele fizer de sua vida. Há médiuns que são instrumentos e não têm consciência desse fato, como por exemplo, médicos que são ajudados, espiritualmente, nas suas cirurgias. No caso de desistência, deve canalizar suas atividades para outra área. Os médiuns são pessoas problemáticas. Se assumirem essa responsabilidade, devem ir até o fim. Quando sai algum por um motivo justo, não está abandonando o barco. Por vezes, vai ajudar o próximo ou dedicar-se à família. Quem resolver ficar, deve preparar-se, não dormir demais, para não receber sugestões hipnóticas. Muito cuidado! O exercício mediúnico é a melhor opção.

P4. Como a moralização do médium favorece a mediunidade? De acordo com Erasto, a mediunidade serve a bons e maus; a honestos e gatunos. Há médiuns corruptos e levianos. Em conseqüência, essa moralização favorece a mediunidade, atraindo os bons Espíritos; criando um clima psíquico favorável e reforçando o nível energético do perispírito. O desgaste energético seria imenso, se um médium recebesse, por reunião, 18 Espíritos, por exemplo. Dá-se a superposição de mente sobre mente. Uma das mentes (do Espírito comunicante) exterioriza seus sofrimentos. Se o médium não se envolve com a espiritualidade, o fenômeno fica inseguro. Devem ser permitidos dois comunicantes por médium. Poderá vir um terceiro, quando se tratar de um bom Espírito, que o revigorará. Mentores ou anjos-da-guarda são Espíritos de alta envergadura, os quais estão presentes nos momentos mais difíceis de nossas vidas. Eles podem envolver várias pessoas, com suas irradiações. Existem Espíritos familiares, Espíritos protetores e Mentores espirituais.. Há um conteúdo positivo no animismo, tal como ocorreu com as cartas de consolo, psicografadas por Chico Xavier. Um suicida deu-lhe mensagem poética, em virtude da ajuda que recebeu de Espíritos amigos. A condição moral do médium e sua doçura, possibilitaram a poesia e o lirismo, como uma exteriorização do envolvimento.

P5. Com quais Espíritos o médium vai lidar? Com os semelhantes a ele mesmo; com suas vítimas, para reparação; fazendo amigos novos; com seus afetos e guias; com os inimigos do bem. Cuidado com os médiuns que recebem os próprios obsessores. Isso denota afinidades fluídicas com os mesmos, sendo-lhes prejudiciais.

P6. A faculdade depende da moral? Para aflorar, não. Para aperfeiçoar-se, sim (depende da moral).

P7. Educar a mediunidade, ou educar-se para a mediunidade? Educar-se para a mediunidade. O médium educado é cidadão educado. Não se é médium só na sala mediúnica, mas em todos os locais onde se esteja. A faculdade acompanha o médium. O médium não precisa ficar revirando os olhos ou fungando. Isso pode ser considerado um show mediúnico e, com certeza, a sala mediúnica jamais será o palco de um teatro. Todos estamos a serviço da vida.

● 1º Conjunto de padrões de qualidade inerentes à equipe: Tal como não se pode entrar em um laboratório de química, sem conhecer esta ciência, para a prática da mediunidade é necessário conhecê-la. Tem que possuir as qualidades humanas; deve ser gente que gosta de gente; nada de estrelismo; tratar bem as pessoas; ter prazer no que faz; ter empatia (envolvimento) com o outro. Todos nós temos importância, pela contribuição que damos para a renovação social. Ser bem-humorado e desfrutar de lazer com a família. Fazer uso de uma filosofia moral de comportamento. Tem que estar no mundo sem ser do mundo.

● 2º Conjunto de padrões de qualidade inerentes à equipe: Consciência dos papéis e funções; conhecimento; adesão aos regimentos internos e às normas; ser pontual e assíduo. O médium não pode, de forma alguma, justificar suas faltas com motivos fúteis, tais como: assistir ao último capítulo da novela ou ao casamento da Barbie. A falta deve ser justificada pela própria consciência. Não se pode ir à reunião mediúnica trajando um vestido com lantejoulas e com o cabelo cheio de laquê, só porque, depois da mesma, está-se indo a uma festa. Como justificar nossa ausência e avisar aos suicidas e aos vitimados da AIDS ou câncer? Não veio porque foi comer bolo de noiva. Todo mundo esperando-o. Isso, sem dúvida, causará constrangimento, e o faltoso, com certeza, irá muito mal, àquele casamento. O Regimento Interno tem que ser cumprido. Deve ser previsto um dia de prática mediúnica e um dia de estudo. Se faltar aos estudos, estará, automaticamente desligado. Chico Xavier já passou por mistificação. Emmanuel, seu mentor espiritual, deixou que isso acontecesse, para que percebesse a diferença e para que se acostumasse a fazer sempre uma auto-análise. De acordo com Erasto, é preferível rejeitar nove verdades, do que aceitar uma mentira.

● 3º Conjunto de padrões de qualidade inerentes à equipe: Compromissos com: oração/caridade/estudo/meditação. A caridade moral tem que estar na nossa agenda diária. O médium sem caridade é semelhante às flores artificiais. Deverá ser feita uma meditação analítica, durante cinco minutos.

● Parâmetros de qualidade do Assistente – Participante: Prestar atenção nos diálogos; motivação; irradiação contínua do pensamento em atitude de ajuda; fervor, na prece; empatia. Evitar acalentar certas afinidades (sintonias). A intuição e a sensibilidade mediúnica podem despontar a qualquer momento.

● Parâmetro de qualidade do Médium: Grau de adestramento; concentração; facilidade de comunicação; regularidade no exercício; diversidade de comunicantes (evitar receber, com exclusividade, o mesmo Espírito); participar das reuniões cumprindo sempre o dia e o horário previstos. Não deve ser permitido que o médium freqüente reuniões mediúnicas em outra Casa Espírita, pois além de sobrecarregá-lo, pode causar interferência nos trabalhos mediúnicos desenvolvidas em ambas as Casas. A obsessão simples diz respeito à influência obsessiva de um único Espírito sobre o médium. Não transforme seu lar em um Centro Espírita

● Controle de dificuldades: Inibição/dúvidas; animismo; obsessão; passe (no final). No caso de um médium estar envergonhado, inibido, sem braço, aplicar-lhe um passe. O animismo é uma espécie de catarse, liberando nossas raivas. Um musicista, quando vai apresentar-se, escolhe o melhor instrumento. Da mesma forma, os Espíritos o fazem, escolhendo o melhor médium, conforme a natureza da comunicação que pretendem transmitir.. Vimos que a obsessão simples é a constante presença de um mesmo Espírito junto ao médium. Um dos principais escolhos para os médiuns é a obsessão do tipo fascinação. Ela nasce do inconsciente do médium, que não sabe que está errado e tem um comportamento dissimulado, em virtude da influência espiritual perniciosa sobre seu pensamento. O médium torna-se interesseiro e se exalta de forma sub-reptícia. O inconsciente é tal qual uma esponja, que absorve vaidade, orgulho, narcisismo, presunção de que somos infalíveis…

Desobsessão para trabalhadores: O obsedado sendo tratado por outro (médium), não é de bom alvitre. Como atrair a companhia dos bons Espíritos, se o próprio médium está sendo assediado (abriu a guarda para influências malsãs) por perseguidores espirituais? Têm que ser tomadas medidas preventivas para evitar que um trabalhador obsedado prejudique os trabalhos mediúnicos.

● Parâmetros de qualidade das passividades: Ritmo (envolver-se no ritmo do comunicante); equilíbrio (dar um soco na mesa, só vai falar o que quiser); clareza e fluidez (saber se está sendo claro na comunicação) e, para tanto, fazer avaliação com o dirigente. Procedendo assim, o animismo vai diminuindo, ou seja, o médium vai filtrando melhor a comunicação.

● Parâmetros de Qualidade do Terapeuta – Doutrinador (I)

-Perfil apropriado: Racional e intuitivo; estável emocionalmente; efetivo; estudioso. Contou o caso de um Espírito que se comunicou e ficou o tempo todo fazendo ameaças e falando malcriações. Após algum tempo, o doutrinador (um daqueles coronéis do interior), vendo que não conseguia convencê-lo a mudar de atitude, nem tampouco afastá-lo do médium, resolveu agir mais drasticamente. Foi até onde estava o médium e aplicou-lhe uma gravata, arrastando-o para fora da sala e da Casa, com Espírito e tudo, trancando a porta, a seguir. Após algum tempo, ouviram umas pancadas na porta e foram abri-la, deparando-se com o médium com a roupa toda ensopada. O médium falou, trêmulo: -Sou eu, a chuva está me molhando todo. Deixe-me entrar. Citou outro caso de um médium, que parecia entalado, nada falava e ficava movimentando a cabeça, tal como faz uma lagartixa. O doutrinador dizia: -Quer falar, meu irmão? Insistiu algumas vezes. Depois de algum tempo, um médium vidente alertou o doutrinador sobre o fato de o Espírito comunicante ser um suicida e estar se apresentando ainda com uma corda em volta do pescoço e fazendo com que o médium tivesse a sensação de estar sendo enforcado. A doutrinação mal conduzida pode causar comprometimento espiritual. A função de doutrinador é muito difícil. Ele deve estar sempre atento e ser mais sensível às intuições. Há doutrinadores que orientam os Espíritos a irem para colônias espirituais. Como pode dar essa sugestão, se não conhece colônia alguma, considerando-se que nunca foi lá? Vai querer isso para ele? Vai querer ir para aquele lugar? O doutrinador tem que ler muito. Tem que conquistar a confiança do Espírito. O doutrinador deve ter cuidado, ao dizer: -Venha na paz! Quem sabe se o Espírito comunicante não é o obsessor dele? Não deve tratar o Espírito de forma diferente. O Espírito sofredor é frágil e emocionalmente instável. Na desobsessão, os Espíritos devem ser tratados como Espíritos necessitados e não como obsessores (algozes, inimigos).

● Parâmetros de Qualidade do Terapeuta – Doutrinador (II)

-Indicadores de desempenho: Saber ouvir; rapidez de percepção; intervir na hora certa; posturas adequadas; fazer-se escutar; bem conduzir as terapias complementares; racional e intuitivo. Se um Espírito comunica-se chorando e nada fala, o doutrinador deve dizer: -Posso ouvi-lo, se você quiser falar. Nestes casos, podem ser dados passes dispersivos longitudinais, no topo da medula, ou seja, na base do crânio, ou na coluna cervical. O progresso da equipe é a medida do progresso do terapeuta-doutrinador. O doutrinador pode concordar com o Espírito, quando cita a razão de sua perseguição a alguém, como sendo um grande mal que aquela pessoa lhe fez, mas jamais deve dar vazão ao extravasamento da vingança. -Há quanto tempo? –pode perguntar e complementar: -No seu lugar eu faria o mesmo, no entanto, sabe-se que o ódio adoece, prejudica. Essa é uma forma de ir-se chegando ao Espírito, de modo a conquistar sua confiança. Deve manter-se com boa higiene pessoal e evitar alimentos líquidos, com gás (riscos de arrotos, eliminando fluidos).

● Parâmetros de Qualidade da Terapia (I)

-O Choque Anímico (I): Benefícios; desintoxicação fluídica; desestruturação de ideoplastias; catarse do inconsciente; revigoramento; contenção (ajudar a conter). Distonias, ânsias de vômito, náuseas, irritação, componentes magnéticos fluídicos que são deslocados, etc., tudo isso pode acontecer a um médium, no exercício de sua mediunidade, razão pela qual, ele tem que gozar de boa saúde. A doença não passa de uma descompensação energética.

Ideoplastia: Moldagem pelo pensamento. Matéria viva mental. Tal como ocorre em um telão, são pro-

duzidas imagens, ou quadros mentais, para que os Espíritos mais grosseiros possam fixar-se nelas. Citou o caso de um doutrinador que sugeriu que o Espírito estava levando uma surra de arame farpado e o médium sofria as conseqüências dessa surra, contorcendo-se de dor. Outra feita, o doutrinador deu passagem a um Espírito com desvios sexuais, o qual era obsessor da médium. Ele começou a narrar o que fazia, em termos libidinosos, com aquela médium. Tais fatos não podem acontecer, constituindo-se uma total falta de preparo do doutrinador. Tais atitudes comprometem a saúde espiritual do grupo. ção.

Citou uma comunicação em que o Espírito obsessor começa a ironizar o doutrinador, dizendo: -O irmão está tão diferente! Pensa que não o conheço! Você quer que eu diga onde estava na sexta-feira? O doutrinador, constrangido com aquela situação, faz o seguinte apelo: -Em nome de Jesus, sai dele! O Espírito respondeu-lhe: – Em nome de Jesus, eu fico! O doutrinador tornou a falar: -Em nome do Cristo, sai dele! e o Espírito repetiu: -Em nome do Cristo, eu fico! O doutrinador, já impaciente, resolveu apelar para a força maior e disse: -Em nome de Deus está encerrada a reunião!

Cuidado para não “matar” o Espírito, fazendo-o morrer novamente. Isso pode acontecer no período de perturbação, pós desencarne, em que o Espírito não sabe que “morreu”. Uma notícia, assim, dada abruptamente, pode causar-lhe um forte desequilíbrio. A espiritualidade tem recursos para fazê-lo conhecer essa verdade, através da hipnose regressiva. O doutrinador deve-se ater a dar-lhe sugestões. O médium deve ficar no máximo de 12 minutos com o Espírito “incorporado” (termo inadequado porque o Espírito não toma o corpo do médium). Deve-se tomar cuidado para não dar uma notícia trágica, de supetão.

P7. No caso de um grupo que tem dois doutrinadores, um deles doutrina e o outro fica passivo?

R7. Se os dois são médiuns, devem agir como médiuns. Não devem os médiuns, substituir o

Doutrinador, procurando-se arranjar um, o quanto antes. Nada de médium bombril, que faz tudo.

P8. Os médiuns devem manter o mesmo lugar em todas as reuniões?

R8. Não há necessidade, a não ser se houver dificuldade de o doutrinador identificar a posição desse ou daquele médium, no escuro, caso não se oriente no início.

P11. O que pode dizer sobre o uso de álcool, 72 horas antes da reunião mediúnica, e a prática de sexo, na véspera ou no dia da reunião?

R11. A prática de sexo envolve energias e instinto sexual. Cenas fortes são vividas durante o ato e o médium não consegue se desvencilhar delas com facilidade. Ocorre um grande envolvimento.. É recomendável que seja feita abstração do sexo, ou seja, resguardado de praticá-lo, para evitar sua desorganização energética. O uso de fluidoterapia, passes individuais ou coletivos, música e prece meditativa, são instrumentos valiosos para conter um pouco os desejos. O passe tem o poder de cauterizar até tumorações.

P12. O que você acha de pessoas que buscam desenvolver a mediunidade através de chás?

R12. Alguns tipos de chás, do tipo alucinógeno, alteram a consciência de quem os toma. São criados clichês mentais anímicos. Nessa hora, o experimentador pode ser envolvido por Espíritos. A cachaça, que tem um teor alcoólico elevado, altera a consciência, obtendo-se maior desprendimento do perispírito. As bebidas estimulantes fazem perder o estado de lucidez, podendo ocorrer que a pessoa chegue a atentar contra a própria vida.

P13. Quando freqüento uma reunião mediúnica tenho muito sono. O que você sugere? O que fazer?

R13. Tem que haver compromisso com a reunião espírita. Conforme André Luiz, essa sonolência, se não for cansaço, decorre de um ritmo desgastante ou de sugestões hipnóticas magnéticas. Ocorre um reajuste da função do sono, no hipotálamo. Sob a influência espiritual, isso aparece mais. A glândula pineal desloca-se e atinge o hipotálamo e aí. Você tem problemas. Somos obsedados naquilo em que temos desajustes. Lute contra isso. São feitas sugestões hipnóticas, ou dá-se a impregnação por fluidos magnéticos fortes, visando evitar que se adquiram conhecimentos. Lave o rosto, fique em pé, mas não saia da sala. Não se entregue.

● A qualidade da reunião, na visão de Allan Kardec: Toda reunião deve tender para a maior homogeneidade possível. Falamos daquelas que se deseja chegar a resultados sérios e verdadeiramente úteis. Se o que se quer é apenas obter comunicações, sem nenhuma atenção à qualidade dos que a dêem, evidentemente desnecessárias se tornam todas essas precauções; mas, então, ninguém tem que se queixar da qualidade do produto. (Cap. 29, item 428, de O Livro dos Médiuns).

Destaques das anotações feitas por Orlando Mota Maia, trabalhador do Centro Espírita Aurora Redentora, de maior interesse dos estudiosos e praticantes da mediunidade.

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