II ENTREMÉDIUNS

MEDIUNIDADE E OBSESSÃO

Data: 7/09/2008

Hora: das 09:00 h às 17:00 h

Local: Escola Educar SESC (capacidade para 332 lugares, bem instalados), à Av. José Bastos nº 813, Farias Brito, próximo ao Hiper Bom Preço da Av. Bezerra de Menezes

Palestrante: Liszt Rangel (jornalista pernambucano, estudante de psicologia, médium psicógrafo e escritor das seguintes obras: Entre o Ciúme e o Amor; Pensando com o Coração – A Influência das Emoções na Saúde; Um Mestre Em Minha Vida; Eu sou Yehoshu´a; O Cristianismo de Yehoshu´a). Divulgador do Projeto Manoel Philomeno de Miranda.

Desenvolvimento:

10:00 h : Início do 1º Módulo

Liszt Rangel: Contou a seguinte história: Uma jovem chegou à Casa Espírita, após um período de questionamento e de sofrimento. Estava casada há cinco anos e grávida. Ela e o marido haviam planejado organizarem-se de natureza econômica, adquirindo certa estabilidade, antes de gerarem seu primeiro filho, o que aconteceu conforme previsto. Aos três meses de gravidez consultou-se com um médico, que a acompanhara desde seu nascimento e que era amigo da família. O médico realizou os procedimentos naturais para o exame de ultra-som, utilizou gel de contato no seu baixo ventre, tudo visando mapear a intimidade de seu útero. Ao iniciar a varredura com o aparelho, seu semblante modificou-se. Ele pediu para chamar o marido da moça e disse que queria um diálogo com os dois. A moça, já bastante apreensiva, perguntou: -O que há de errado com o meu bebê? O médico insistiu: -Quero falar com o seu marido, na qualidade de amigo da família que era. Acrescentou que sentia amor por ela, como se fora sua própria filha, bem como, uma forte amizade pelos seus pais, e que sugeria a realização de um aborto. A moça, mais apreensiva ainda, perguntou-lhe, novamente: -O que há de errado com o bebê? O médico informou-lhe que o bebê apresentava-se não muito bem formado e, por causa disso, suas recomendações eram de que deveria ser feito um aborto (provocado), embora sabendo tratar-se de algo bastante doloroso para os pais da criança e para toda a família. A moça estava no início da gestação, cabendo, portanto, seu questionamento sobre o que seria ou não, ético. Por que assassinar meu filho? – perguntou a moça. O médico relutou em dar-lhe uma resposta, o que acabou fazendo, depois de muita insistência dela. -Porque o feto se apresenta com o corpo todo retorcido, como se fosse um parafuso, e com três ou quatro cabeças presas ao tronco, sendo, portanto, uma verdadeira aberração. Em função disso, concluiu, no decorrer de sua gravidez, ser-lhe-ão provocados incômodos, dor, desconforto e hemorragia, com riscos para sua própria vida. O objetivo é evitar maior sofrimento para você e para ele, inclusive, preservar sua vida. A moça sofreu um impacto tão grande, que a fez perder os sentidos, tendo sido levada à casa dos pais, após medicada. Sua família tinha uma formação religiosa evangélica e freqüentava uma Igreja, cuja denominação encontra-se entre as mais de 1.500 existentes, qual seja, Testemunha de Jeová. Sua mãe relembrou as páginas do Apocalipse, de S. João, que constam da Bíblia, as quais fazem referência à besta fera, que tomará a forma humana. Complementou, dizendo, que sua filha daria à luz à besta fera e que Deus assim estava falando pela boca de João. A filha ponderou, dizendo que o exame poderia ter dado errado. Foi-lhe dito para repeti-lo, o que foi feito, confirmando o resultado anterior. Surgiu a dúvida atroz, entre a razão, que dizia para tirar o filho e o coração, para não tirar. Ela dizia que já amava seu filho e que o estava ajudando em sua criação. Mais adiante, foi fazer novo exame em outro laboratório e, desta feita, as imagens apresentadas pelo ultra-som, estavam bem mais definidas: eram, na realidade, quatro cabeças, existiam garras e o tronco estava todo retorcido. O médico, mais uma vez, estimulou-a a fazer o aborto. Disse-lhe que poderia esperar até o quinto mês de gravidez, garantindo um aborto sem maiores riscos e que dali em diante, tudo ficaria mais complicado. A moça tinha uma colega de trabalho que era espírita e que, um dia, observando a angústia estampada no seu rosto, perguntou-lhe a razão de seu estado. Quando soube do que se tratava, disse à moça que inúmeras pessoas, até mesmo de outras religiões, vêm procurando o Espiritismo, objetivando solucionar seus problemas. Sua mãe voltou a perguntar-lhe: -Já decidiu, minha filha, em favor de Deus, de sua palavra? A filha respondeu que ainda não havia se decidido, mas que iria a uma instituição espírita, para receber a orientação precisa sobre como deveria agir. A mãe, horrorizada, disse-lhe: -Além de ser mãe da besta fera, ainda vai freqüentar a casa de satanás! Isso é o fim do mundo! Os espíritas são psicopatas. Apesar dessas advertências maternas, dirigiu-se à Casa Espírita, mantendo um primeiro contato com o Atendimento Fraterno. Foi-lhe falado sobre o livre arbítrio, que todos nós temos e sobre a responsabilidade que devemos assumir pelos nossos atos. Optando pela criança, com certeza teria todo o apoio da espiritualidade. Foi-lhe dito para ter paciência e fé em Deus. A moça sentiu-se motivada a esperar até o quinto e, depois, sexto mês de gravidez . O médico continuou insistindo em dizer que o aborto era a saída. Cheia de fé e esperança, a moça manteve-se firme em seu propósito de não interromper a gravidez. No quinto mês, o médico preparou-se para a intervenção, mas ela não o atendeu. Agora, já chegara ao sétimo mês, sem sentir qualquer dor. Alcançou o oitavo e o nono meses. A gravidez havia chegado a bom termo, pois não sentira qualquer dor ou incômodo. O médico submeteu-a a uma cesariana. A surpresa foi geral. Nascera um menino bonito e saudável, com um corpo perfeito e membros superiores e inferiores sãos. Tudo nos seus devidos lugares. A criança gritou e chorou, normalmente, sendo acolhida, amorosamente, pela mãe. A espiritualidade havia feito a sua parte. Tratou-se, portanto, de um caso de obsessão, em que os maus Espíritos plasmaram aquelas imagens terríveis nas radiografias ultra-sônicas, para induzir as pessoas envolvidas a optar pelo aborto. Esse caso foi apresentado em um Congresso de Ginecologia e Obstetrícia, realizado na Venezuela, causando um grande impacto. Pôde-se, assim, comprovar o tanto que pode chegar a influência dos Espíritos em nossas vidas, a qual se dá muito mais do que se possa imaginar. Essa influência não se dá só no negativo, mas também, no positivo. Em Salvador-BA, houve o caso de uma criança, que nasceu com duas cabeças, nas quais, uma se apresentava sem o cérebro desenvolvido (anencéfala). Os exames de ultra-som realizados durante a gravidez, não revelaram qualquer alteração ou deformação na imagem da criança. Os bons Espíritos passaram a mapear as imagens, de modo que não fosse percebido qualquer problema na criança, haja vista que a fragilidade da mãe, que tenderia a optar pelo aborto, se tomasse conhecimento de alguma deformação no filho, comprometendo-se ainda mais, com sua atitude impensada. A criança foi submetida a uma cirurgia, para a retirada da estrutura cerebral defeituosa, com sucesso. Tais argumentos são bastante fortes e que bem poderiam ser colocados, para evitar que um Congresso sociopata e um governo psicopata, como os nossos, aprovem o aborto. Não devemos ser apolíticos, mas sim, pensar, antes de tudo, no bem coletivo. É preciso reestruturar a sociedade através da educação. Tais modelos deveriam ser apresentados e não os argumentos casuais que têm sido citados, os quais poderão vir a tornar imoral nosso país.

Questão 459 de O Livro dos Espíritos: Os Espíritos influem sobre os nossos pensamentos e sobre as nossas ações? R.: -A esse respeito sua influência é maior do que credes porque, muito frequentemente, são eles que vos dirigem.

Os Espíritos influenciam cantores, pintores, escritores, governantes, musicistas, etc. Mentes são perturbadas, para difundir a guerra e outras são influenciadas para tentar obter a cura da AIDS, por exemplo. Nós escolhemos, com nosso modo de ser e de agir, nossos companheiros de viagem, os quais poderão ser pessoas perturbadoras ou amigas. O Livro dos Médiuns, editado em 1861, preconiza que devemos servir à mediunidade e não nos servirmos dela. O Projeto Manoel Philomeno de Miranda é um desdobramento dos estudos de Kardec.

No Capítulo 23 de O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, temos:

O que é obsessão?

É o império que alguns Espíritos sabem tomar sobre certas pessoas.

O obsessor cria fixações (idéias fixas ou monoidéias) e passa a agir com outras mentes que lhe são afins.

  1. Obsessão de encarnado para encarnado: ocorre quando um procura exercer o domínio sobre o outro, ou fica querendo “puxar o tapete” do outro. Dá-se entre vizinhos, entre colegas de trabalho, entre sogra e nora (disse, brincando), ou após um relacionamento rompido.
  1. Obsessão de encarnado para desencarnado: quando se reverenciam os mortos, em excesso; ou com ruminações, saudade e possessividade, de pessoas vivas para aquelas que se foram.

A respeito desse assunto, contou que estava visitando o interior, perto da hora do almoço. Achava-se cansado da viagem e com fome, quando encontrou um homem do tipo “agente de turismo do Espiritismo”, falando pelos cotovelos. Duvido que o homem falasse de comidinha, pensou com os seus botões. O lugar era muito quente, podendo ser considerado um local próprio para se estagiar, antes de ir para o inferno, disse, sorrindo. Suas narinas estavam secas. O “agente” convidou-o a fazer uma visita. Pensou logo que teria que aplicar passe, fazer prece, etc. O homem falou-lhe: – Vamos ver a mamãe. A mãe dele, apressou-se em informar, é muito católica. Liszt animou-se um pouco, pensando que iria almoçar com a mãe do homem, saborear uma comidinha caseira, em um ambiente familiar, etc. O homem propôs-lhe que fosse feito um Evangelho do Lar. Sua mãe veio da cozinha. Sentiu o cheiro bom de comida, o que aguçou ainda mais sua fome. O homem anunciou a chegada de Liszt:- Ele chegou! Adentraram a casa, saindo da luz para a escuridão. O homem falou, falou, falou e depois disse: -Que tal o Evangelho? Mamãe é médium, complementou. Ela está tão perturbada! Pediu-lhe para trazer água. Percebeu uma multidão de Espíritos na casa, como se alguém tivesse pego o céu inteiro e trazido para ali. Via imagens horrendas. Abriu o Evangelho, bem na parte referente às preces, que trata sobre a diferença entre orar (dizer a oração, com fé e sentimento) e rezar (fazer isso, de uma forma decorada, automática). Leu o trecho que fala de preces por entes queridos, que já desencarnaram. Foram feitos comentários. O homem pediu à mãe que trouxesse mais água. Contou, a seguir, que havia perdido um irmão há 27 anos e que sua mãe ia ao cemitério, desde então, todos os dias, para colocar flores no túmulo do filho. No local, ela dizia para as “almas” que quem quisesse vir com ela, que a acompanhasse. Além disso, todas as noites ela acendia uma vela pelas “almas”. O homem, que era vidente, disse que seu irmão estava ali. Liszt foi forçado a tomar mais água. A seguir, foi-lhe oferecido jiló, que não suporta. Disse que não queria. A insistência foi tanta, que acabou cedendo às pressões, por isso, ainda hoje seu perispírito está impregnado dele, falou, rindo. Acrescentou que a oração deve ser proferida com o coração. A mãe do rapaz começou a passar mal, com a pupila dilatada, sudorese e mão gelada. Disse-lhe para procurar falar com Deus, elevando seu pensamento ao Criador. Viu dois Espíritos trajados de enfermeiros, acompanhados de um jovem, com perfil de cigano, que se apresentava com uma imagem forte. Sou fulano, filho da senhora, disse o Espírito. Liszt pediu-lhe que falasse e ele transmitiria suas palavras para ela. Há espíritos inconvenientes e que não se deve atender a seus caprichos, como o de psicografar em qualquer ambiente. Uns pedem para colocar a música de que gostam. Não se deve ficar levando flores para o cemitério. Percebeu que uma entidade obsessora vinha plasmando seu perispírito, de modo a fazer-se passar pelo filho da senhora (Ver A Gênese, de Allan Kardec, Cap. 14, Formação e Propriedades do Perispírito, item 7 em diante).

  1. Obsessão de desencarnado para encarnado: é a mais comum das obsessões.
  1. Obsessão de desencarnado para desencarnado: citou o caso de um político que se tornou vítima, quando desencarnou, daqueles que almejavam a realização de suas promessas de campanha.

Obsessão nos médiuns: Ver Cap. 23 de O Livro dos Médiuns

  1. Simples e física
  2. Fascinação
  3. Subjugação

Obsessão física

“Consiste nas manifestações ruidosas e obstinadas de certos espíritos que fazem ouvir espontaneamente pancadas ou outros ruídos.”

Allan Kardec (L.M. – Cap. 23)

A produção de obsessão física dá-se através de efeitos físicos, tais como: campainha que toca, copo que sai do lugar, lançamento de objetos e outros, todos sem uma causa aparente. Consiste nas manifestações ruidosas e obstinadas de Espíritos obsessores. O ectoplasma é utilizado pelos Espíritos para movimentar aquilo que eles desejam.

Contou a história de um casal recém-casado, que alugou um apartamento e foi até lá, juntamente, com outra pessoa da família, para fazer a faxina. Iniciaram pela cozinha. Enchiam um balde com água e, logo em seguida, constatavam que toda a água havia derramado. Isso aconteceu várias vezes. Resolveram começar em outro lugar. Foram para a sala e perceberam que o espelho do bar apresentava manchas de mãos. Limparam as manchas. No dia seguinte, quando foram ver o espelho, constataram a existência de manchas, mas em outros lugares. Ligaram o chuveiro quente e o vapor umedeceu os azulejos do banheiro, que passaram a apresentar manchas de mãos (mão esquerda). Quando já estavam residindo no apartamento, ao se deitarem na cama, sentiam o lençol ser puxado e ouviam uma voz que dizia: -Saiam da cama da minha filha. Brinquedos eram jogados pela janela. Liszt esteve no apartamento e perguntou ao casal se podia fazer um Evangelho no Lar.

Interrompeu a história para falar um pouco de si, informando que sua vidência estava em segundo plano, simplesmente devido ao que se passou com ele na infância. Nessa época, passava horas e horas estudando, trancado no banheiro, porque tinha visões de Espíritos, quando se encontrava em seu quarto, por exemplo. Sentia muito medo, pois não tinha qualquer orientação a respeito. Em função disso, ainda hoje, às vezes, assusta-se e tem medo. Certa vez, no Cariri, estavam rezando um terço. Ouviu quando lhe foi dito para arrastar aquele povo dali. Na ocasião, entraram dois violeiros, que começaram a cantar. A partir daí, o ambiente, então conturbado, foi mudando, acalmando-se. No domingo, apresentou-se um jovem espírita, poeta, que procurou falar mais de perto aos sertanejos.

É muito importante identificar o que estamos sentindo na aproximação dos Espíritos. A identidade do Espírito é o primeiro ponto que o médium precisa perceber. Essa identificação é feita através das sensações, da sensibilidade do médium. A vidência, por si só, não dá segurança alguma, pelo fato de os Espíritos poderem falsificar sua identidade, plasmando formas perispirituais que não são as deles. O médium deve ter sempre disponível um canal extra-sensorial que amplia as percepções para a escala imaterial.

Características do bom médium:

1) Capacidade de sentir (perceber) se a entidade é do bem ou do mal;

2) Conteúdo da mensagem;

3) Caráter do médium;

4) Conscientização para com ele (médium), depois, para com a humanidade.

Pode ocorrer uma desfocagem do perispírito, pela influência dos obsessores. 99,9% dos médiuns são de provas e expiações, encontrando-se em processo de reconstrução e reorganização do que foi destruído por eles mesmos. Eis porque são observados alguns médiuns de psicopictografia (pintura mediúnica), por exemplo, cujos quadros são horríveis, mas que portam assinaturas de pintores célebres, como Rembrandt ou Renoir. Alguns Espíritos se apresentam de forma educada, mas com o passar do tempo revelam o que realmente são, dando ensejo à pergunta: -Cadê aquela pessoa tão educada? Outros, ao concluírem suas comunicações, através da psicografia, cheios de vaidade, dizem: -Escreva aí meu nome: Bezerrinha. O trabalho dos médiuns constitui um resgate da humildade. Uma mensagem de Rui Barbosa, não pode conter, jamais, palavras eivadas de erros, tais como “probrema”. O Espírito escolhe o melhor médium, ou seja, aquele que ofereça condições mais adequadas para expressar o conteúdo de suas idéias. Quem dá o nome à comunicação é a idéia que ela expressa. O médium tem que estudar, mesmo, pois se assim não for, o Espírito não consegue ter afinidade com ele. Dificilmente se encontra uma comunicação de Herculano Pires. Será que não achou um médium que tivesse conteúdo filosófico para divulgar suas idéias? Não se deve aproveitar logo a primeira mensagem, pois nesse momento, falta-nos, ainda, a metodologia científica para identificar o autor da mensagem, por comparação. Allan Kardec trabalhava com mais de 100 médiuns, a quem fazia a mesma pergunta. As respostas recebidas, eram comparadas, para que fosse verificada sua coerência. Podiam vir escritas de forma distinta, mas o cerne da idéia era o mesmo.

Voltando ao apartamento onde estavam ocorrendo efeitos físicos, foram fazer o Evangelho no Lar. O Evangelho foi aberto no capítulo que trata do Desprendimento dos Bens Terrestres, exatamente o que cabia àquele Espírito que estava atormentando o casal. Mais uma vez foi ouvida a voz: -Daqui não saio. A casa é minha. Eu quero esse pessoal fora.

11:00 h – Fim do 1º Módulo

11:20 h – Início do 2º Módulo

O Espírito estava irredutível, não queria sair dali de forma alguma. Foi dito que, no apartamento em frente àquele em que se encontravam, morava uma senhora espírita. Dirigiram-se até lá e, simultaneamente, a porta do apartamento abriu-se, aparecendo a dita senhora, que lhes falou: -Podem entrar. Estou esperando vocês. Liszt fez a seguinte observação jocosa: Não há ninguém no mundo, que saiba mais de sua vida do que seu vizinho. A senhora foi dizendo que sentia a presença do ex-morador daquele apartamento, o Sr. Roberto, o qual tivera um fim triste, e que podia provar o que dizia. Pediu para ir até o apartamento e lá, dirigiu-se ao espelho do bar, onde existiam as manchas. -Essas mãos, disse, são do Sr. Roberto. Ela conhecia bem o Sr. Roberto! -Ele era pára-quedista, prosseguiu a senhora. Num dos saltos que deu, caiu de mau jeito e teve vários ossos quebrados. O dedo da mão, que estava um pouco afastado dos demais, comprovava o que estava afirmando, pois sua mão esquerda fora lesionada nessa queda. Ele estava aposentado e havia desencarnado há pouco tempo.

Liszt informou que, na Inglaterra, há sérias preocupações com relação a esses fenômenos de “poltergeist”, a ponto de nos contratos de aluguel constar uma cláusula que prevê a devolução do dinheiro pago pelo inquilino, se a casa se revelar mal-assombrada. Os fenômenos de “poltergeist” podem ocorrer com adolescentes, pela grande quantidade de ectoplasma que podem disponibilizar aos Espíritos. Contou outro caso de efeitos físicos, em que eram ouvidas conversas, brinquedos eram lançados fora de casa, lençóis eram puxados. Foi usada a tática de fazer um melodrama, para sensibilizar o Espírito, apelando para sua sensibilidade, dizendo-lhe que, iria provocar a saída da família que, ia ficar na rua, inclusive com aquela criança. O vulto do Espírito era visto, debruçado na janela. Ele, quando encarnado, teve problemas de relacionamento, tendo sido vítima da esposa, que não lhe arranjou enfermeira para cuidar dele e fê-lo assinar documentos comprometedores, passando seus bens para ela. Tinha muita mágoa da esposa. Liszt disse que foi encontrar-se com o cunhado dele. Recomendou-lhe que fosse feito o Evangelho. Certo dia, o dito cunhado ligou, perguntando-lhe: -O que faço? A viúva era muito católica, a mãe via o diabo e era Filha de Maria. A família era muito católica. Liszt insistiu na realização do Evangelho no Lar. Após algum tempo, resolveram seguir o conselho dele. Os fenômenos foram diminuindo, tendo-se deslocado para o apartamento da viúva. A atitude materialista dela fez com que passasse a sofrer perturbações, até no seu trabalho.

Obsessão Simples

Tem lugar quando um espírito malfazejo se impõe a um médium, impede-o de se comunicar com outros Espíritos e se substitui àqueles que são evocados.”

“ O melhor médium a isso está exposto, sobretudo no início, quando lhe falta ainda a experiência necessária.”

Allan Kardec (L.M. – Cap. 23)

Dá-se a intromissão através de uma intervenção telepática, no campo fluídico do médium. É preciso ter muito cuidado com os médiuns que estão condicionados a receber um único Espírito. É bom para o exercício de sua mediunidade, que vários Espíritos se comuniquem através deles.

Quem entende desse tipo de problema é o espírita. O padre pode fazer exorcismo; o paranormal pode realizar curas, mas somente o espírita, estudioso da doutrina e engajado na sua reforma íntima, está mais preparado para resolver as questões ligadas à obsessão.

Terapia

O perigo não existe realmente para todo médium bem convencido de ter relações com um Espírito mentiroso, como ocorre na obsessão simples; não é para ele senão uma coisa desagradável.

l “Provar ao Espírito que não se é seu iludido.”

l “Cansar-lhe a paciência, em se mostrando mais paciente do que ele.”

Allan Kardec (L.M. – Cap. 23)

Torna-se irritante, pois o vínculo é também irritante. Subtrai energia do médium, ao contrário do Espírito bom.

Pode enviar suas impressões mentais ao Espírito. Há dois tipos de médiuns, quando à consciência das comunicações que recebe: a) Médium involuntário, que fica à mercê da vontade dos Espíritos, como foi o caso de um que sofria de subjugação e que acabou matando a própria mãe. Nesses casos, os Espíritos subtraem a consciência do indivíduo. Há jornalistas e escritores que são involuntários, sendo manipulados pelos Espíritos. Neles são incutidas idéias fixas. Os trios elétricos podem constituir-se em um fenômeno obsessivo coletivo. Contou o caso de um artista plástico que expôs um trabalho, constituído por uma espécie de cubo de gelo, envolvido por manchas, o qual fez o maior sucesso, tendo sido considerada uma obra belíssima. Foi quando alguém viu aquilo e disse tratar-se de sal grosso, utilizado para melhorar as condições do gado, e que as manchas, não eram, nada mais nada menos, do que estrume. Quem é envolvido é porque tem as mesmas afinidades. Outro artista plástico expôs uma caixa de vidro, que muitos admiravam, considerando-a de rara beleza. Se você não a aceita como obra de arte é porque não tem sensibilidade, é dito pelos adeptos desse tipo de arte, com ironia. Quem assim procede, está influenciando outras mentes. A idéia pode vir à mente. Pode ser boa, mas, também, pode ser degenerativa, imoral. Há que se passar pelo filtro do bom-senso. Aí estão os “hackers” e a indústria bélica, que funcionam com mentes inteligentes, assistidas por Espíritos inteligentes. Há regiões inferiores, comandadas por médiuns, para desenvolver pesquisas. Os Espíritos que lá estão não vão mais reencarnar na Terra, mas sim em mundos inferiores. Eles querem levar para lá o maior número possível de alienados.

b) Médium facultativo: que tem o domínio sobre a comunicação, filtrando a forma das mensagens, sem, contudo, interferir no seu conteúdo básico.

Começa a investir lentamente. Envolve pessoas da família. São produtores ou roteiristas das desgraças em nossa casa.

Terapia

Convém igualmente interromper toda comunicação escrita, desde que se reconheça que vem de um mau espírito…”

“…em certos casos mesmo, pode ser útil em parar de escrever por um tempo…”

“ …toda comunicação dada por um médium obsediado é de origem suspeita e não merece nenhuma confiança…”

Allan Kardec (L.M. – Cap.23

Terapia desobsessiva para trabalhadores? Onde tem? Isso é possível? Isso só é exeqüível de ser feito pelo próprio médium, através do combate ao orgulho e ao egoísmo. Aos Espíritos obsessores podem ser dados esclarecimentos.

Falou que começou a freqüentar reuniões mediúnicas quando tinha 18 anos. Certa feita, acompanhou uma reunião de desobsessão de trabalhadores. Participavam da reunião dois médiuns de psicofonia e o doutrinador. Foi aplicada ali uma estratégia terrorista, com uma ameaça ao Espírito de submetê-lo à doutrinação. Estava sendo praticado ali, o chamado, por Emmanuel, de “mediunismo”, que é a prática da mediunidade sem Jesus. O Espírito, que se comunicou através da própria médium obsediada, dizia que ia matá-la. O doutrinador falava-lhe sobre o perdão e dizia-lhe: -Vai perdoá-la ou não vai? Usava a ideoplastia, fazendo-o “ver” através de quadros mentais, o mundo terrível que o esperava, caso cometesse aquele crime. Não existe desobsessão de médium. O que resolve e o que importa é a reforma íntima, a mudança dos hábitos morais. Poderá haver um esclarecedor, que recomende que seja feita uma meditação. É preciso assimilar novas verdades, para o nascimento de um novo ser. Não é uma terapia feita em dez minutos. O Espírito vem e volta várias vezes. São mágoas acumuladas de 10, 20, 30, 40 ou 50 anos, guardando aquela idéia. São mágoas de infância. São situações mal digeridas. O paciente tem que mudar sua estrutura de comportamento, senão o Espírito vai voltar, pois não tem como romper, o processo simbiótico grave que se instala, em que um alimenta o outro. A separação tem que ser feita, lentamente. Recomendou a leitura do livro Loucura e Obsessão de Manoel Philomeno de Miranda. Na reunião de ajuda a desencarnados sofredores, evitar perguntar se estão doentes ou fazer afirmações contundentes, tais como: – O senhor já morreu.

Toda comunicação dada por um médium obsediado é de origem suspeita e não merece nenhuma confiança.

Fazer uma avaliação para ver quem está bem ou não, para que se tome consciência do estado de cada um.

No cap. 27 de O Livro dos Médiuns, está dito que o elogio e a bajulação exaltam de uma forma sub-reptícia, tal como: -Você é muito importante aqui. Na realidade, somos para Deus. Não somos insubstituíveis. Kardec, no início de sua missão, dirigiu-se ao Espírito Zéfiro e perguntou o que aconteceria, no caso de ele falhar no trabalho da codificação. O Espírito respondeu que outro o substituiria.

Fascinação

“É uma ilusão produzida pela ação direta do espírito sobre o pensamento do médium, e que paralisa de alguma forma seu julgamento com respeito às comunicações.”

Allan Kardec (L.M. – Cap. 23)

É inconsciente, ou seja, nasce nos porões do inconsciente. O médium obsediado, acha que está certo e não aceita qualquer crítica.

Referiu-se a líderes religiosos voltados para o materialismo, que se utilizam das pessoas de boa vontade. Fazem parte do corpo organizacional de certa Igreja, que é uma verdadeira Casa da Moeda. São mentes altamente inteligentes, sofisticadas, mas materialistas. Ocorre uma espécie de neurose catársica obsessiva. O Espiritismo não vende ilusões. Quem o procura fica curado, se Deus permitir. Não fazemos proselitismo. Interessamo-nos por qualidade, não por quantidade. A proposta espírita é a de evangelizar, para transformar o homem, moralmente. Jesus foi o modelo de comportamento ético para a humanidade. “Tirar” Espírito que está obsediando alguém, só se o interessado quiser e esforce-se para tal fim. É preciso que haja consciência do problema, para que ele possa ser resolvido por nós, não para que Jesus tire os pecados do mundo. Contou o caso de uma irmã que procurou uma instituição espírita para ajudar o irmão. Ele sofria de crises histéricas, ocorrendo fenômenos anímicos de natureza patológica. No Centro procurado, eram evocados exu caveira, lobo, tranca-rua e satanás, Espíritos primitivos hipnotizados por mortos mais inteligentes, que os dominavam e que estavam ligados ao dirigente da Casa. Era um espetáculo observado por milhares de pessoas e que se dava através de médiuns involuntários. Isso não ocorre com o médium facultativo, que tem autoridade para gerenciar o fenômeno.

Táticas

Sua tática, quase sempre, é a de inspirar ao seu intérprete se distanciar de quem quer que lhe pudesse abrir os olhos.”

Allan Kardec (L.M.- Cap. 23)

“Insuflam-lhes o orgulho de missões especiais, camuflado em humildade e passividade errôneas, que os tornam falsamente místicos.”

Philomeno de Miranda (Nas Fronteiras da Loucura – p. 14 a 15)

Recomendou que se tivesse cuidado com as publicações de obras ditas espíritas. Há autores que estão publicando livros, nos quais vão interpretando Kardec, introjetando seu próprio pensamento. Há que se considerar a experiência de Chico Xavier, que levou 10 anos, até obter um livro psicografado, sob a orientação de seu mentor, Emmanuel. As mensagens de Ivone Pereira levaram anos para serem publicadas. Tem que haver prudência, mais zelo, nesse aspecto.

Conheceu um Centro em que os médiuns trajavam roupas brancas, porque, segundo lhe informaram, os Espíritos pediram para que fosse assim. Em outro, determinados livros não podiam ser vendidos ao público, por igual solicitação. Casos há de palestrantes despreparados, que dizem muitas besteiras. Em uma reunião mediúnica, os pontos obscuros têm que ser esclarecidos e não ficarem à mercê de Espíritos, aceitando o que dizem como verdade. O risco maior da fascinação de um médium é esse tipo de obsessão estender-se para o coletivo. Há Espíritos mistificadores, pseudo-sábios, zombeteiros e levianos, que se comprazem em burlar nossa vigilância, enganando os orientadores encarnados com argumentos inteligentes. Citou o livro Tormentos da Obsessão, psicografado por Divaldo Franco. Soube de um caso em que o nome de Jesus era citado com freqüência, em uma instituição espírita. Ficou constatado que se tratava de um Espírito obsessor, também chamado de Jesus. Tais Espíritos creditam a si mesmos um verdadeiro potencial. Referiu-se ao Cap. 20 de O Evangelho Segundo o Espiritismo, que trata dos obreiros da última hora. “Ai de vós que atravancais o progresso da humanidade..”

Fazendo analogia com uma água limpa na fonte e que passa por uma tubulação suja, que certamente irá contaminar-se, chegando, assim, contaminada, a quem tem sede. O mesmo acontece com um médium que não está “limpo”, o suficiente, para servir ao próximo. Ele não deve assumir, se não se acha em condições. Deve dar um tempo. Precisa ter consciência mediúnica. É um risco que corremos, típico de nossa alma. Somos Espíritos imperfeitos e, de certo modo, dissimulados. Nas palestras, precisamos ter cuidado, porque o que está sendo dito pode ser uma dissimulação. Quando o médium afirma que quer fazer a caridade, utilizando-se do instrumento da mediunidade é, algumas vezes, uma dissimulação. Até o Espírito sofredor faz caridade. Trata-se, muitas vezes, de promoção social, de aquisição de “status”, de dominação, sentindo-se bem sobre os miseráveis. O fornecimento de sopa ou de pão, ou de bolsa família, constitui parte do sistema assistencialista, que gera a ociosidade e não incentiva ninguém a crescer, a aprender. No nosso país, que está adotando esse sistema nocivo aos seus próprios interesses, há um sério risco de conflitos civis, por falta de materiais para sobreviver. Trata-se de um clientelismo dissimulado, com outras pretensões. Precisamos construir uma vida verdadeiramente humana, acabando de vez com a pobreza sofrida. Há ricos que também sofrem. São sofrimentos, muitas vezes, impostos. Há um domínio de interesses escusos, por trás disso tudo. Precisamos ter essa consciência política. Há falta de cuidado até mesmo na nossa alimentação.

Há uma obra que fala de uma reunião havida no mundo espiritual, no dia em que Chico Xavier desencarnou. Neste livro está sendo relatado como foi seu desencarne, inclusive que ele foi servido na colônia Nosso Lar, que como todos nós sabemos, é uma colônia espiritual, para onde vão Espíritos perturbados. Os portões da colônia foram-lhe abertos e o mesmo foi recebido por um coral de vozes celestiais e nele foram lançadas pétalas de flores. Não precisa disso não, tem que haver mais humildade. Ele foi recebido por André Luiz e Emmanuel, que ficaram de um lado e de outro dele. Deixe de besteira! O autor “viajou na maionese”. Dá até para rir, porque é ridículo.

Há médiuns fascinados que se apresentam cheios de tiques nervosos e com a pupila dilatada. Somos almas imperfeitas, eivadas de erros, porém, com potencial para acertar, porque senão, Jesus já nos teria deixado de lado. Temos que colocar o lado humano, no lado divino, e não o contrário. A doutrina é dos Espíritos e não o contrário. Precisamos nos enquadrar nesse contexto. O Brasil, Coração do Mundo e Pátria do Evangelho, no dizer de Humberto de Campos, é considerado um laboratório para a doutrina, e terá a incumbência de exportar o Espiritismo para o resto do mundo.

Estamos atravessando a quinta fase de nossa escala evolutiva, qual seja, a da regeneração social. Qual o trabalho que temos realizado para cumprir nossa destinação? Os católicos têm suas pastorais e os evangélicos o Desafio Jovem. Temos instituições de grande envergadura sócio-evangélica, como a Mansão do Caminho, na Bahia e as Casas de André Luiz, em S. Paulo. Na verdade, cada um quer fazer a dança conforme seu jeito. O Movimento Federativo, que visa a unificação, deve ser apoiado, para preservar a verdade e a consistência da doutrina espírita. O personalismo deve ser banido, a todo custo. Precisamos ler com mais atenção o que dizem as últimas páginas do cap. 29 de O Livro dos Médiuns.

Fim do 2º Módulo: 12:35 h

Início do 3º Módulo: 14:15 h

Táticas

Dois tipos de táticas são usados:

a) Apertar logo de início. Acontece uma sucessão de desastres na vida da vítima, que é fraca (enlouquece, mata-se).

Após o Atendimento Fraterno a vítima pode ser levada ao suicídio. Tornam-se agressivos e perdem a paciência, ao sentirem que estão perdendo a luta. Difícil conhecer esse tipo de algoz. Quando se dão a conhecer, é porque começaram a apertar, para dar o golpe final na vítima.

b) Afastam-se, para dar a impressão de que as vítimas estão livres deles e, portanto, curadas. Nesse momento, afrouxam-se os laços fluídicos que envolviam a vítima, na fase de tratamento espiritual. Tornamo-nos invigilantes e afrouxamos os laços. Podemos nos melhorar com os passes. A recaída, com a volta dos obsessores, é mais grave. Agem com muita sutileza.

Espírito narcisista: Fascina o homem. São almas afins. Obsediam os médiuns orgulhosos, soberbos, que guardam mágoas.

Perfil do fascinado

“… os homens mais espirituais, os mais instruídos e os mais inteligentes, sob outros aspectos, não estão dela isentos…”

Ocorre em algumas igrejas em que o fanatismo impera, o que se configura em fascinação coletiva.

Recomendou a leitura do livro Trilhar da Libertação, de Manoel Philomeno de Miranda. Nesse livro é falado sobre um médium alemão assistido pelo Espírito de um médico. Nele está sendo chamada a atenção, com relação ao corte físico nos pacientes submetidos a cirurgias espirituais. É possível, perfeitamente, curar sem corte, a nível perispiritual. Esse médium não aceitou conselhos de Bezerra de Menezes e chegou a tratar mal a Manoel Philomeno de Miranda. Só boa vontade para fazer o bem, não basta, é preciso, também, ter conhecimento. Só conhecimento, por sua vez, não é garantia de um bom atendimento, no caso de o espírita ser orgulhoso e egoísta. Cada um tem as suas imperfeições. O processo de reforma é individual. Trata-se de um sentimento de responsabilidade de nossa parte, para com nossa consciência. No caso de mudar a prática e se corromper, o carma é maior. Não é preciso cobrar da consciência do médium. Além da amizade perdida, corre-se o risco de adquirir inimizades. É preciso, tão somente, cumprir o que está escrito. Ter idéia é fácil, mas pô-la em prática dentro dos preceitos morais e conforme preconiza a doutrina, é que é difícil. É muito fácil ser fiscal de obra pronta, porém, muitos não querem assumir compromissos. No presente momento, é obrigatório todo mundo estudar. O serviço é voluntário, mas não facultativo. Nas Casas, onde somos voluntários, existe um regimento interno, que tem de ser cumprido. Sem disciplina não pode funcionar. Já é difícil suportar a nós mesmos! No Centro Espírita há desgaste. Há casos de irmãos que nos apunhalam por trás. A primeira ferida existente na Casa Espírita é a vaidade. É muito importante investir em grupos de estudo. Joanna de Ângelis cita como sendo a segunda ferida, a má qualidade das reuniões mediúnicas, por falta de estudo. A terceira ferida está ligada ao fato de as pessoas não se comprometerem com o trabalho. Há quem brigue, se desentenda, por não querer aceitar as “regras do jogo” e saia, indo fundar outro Centro Espírita. Há quem se considere um super-médium e que se julgue auxiliado por benfeitores espirituais de peso, o qual, na verdade, está é sofrendo a influência de obsessores, os quais procuram fazer-lhe elogios baratos, dizendo-lhe que é muito bom e incentivando-o a abrir outra Casa Espírita. Mesmo os médiuns considerados de cura, precisam realizar estudos sérios. Há quem chegue em outra Casa Espírita, dizendo que está preparado para iniciar seus trabalhos mediúnicos, pois acha que vem com a mediunidade pronta. Divaldo Franco, com mais de 50 anos de prática mediúnica, diz que até hoje está em desenvolvimento, imaginem quem não tem essa bagagem toda que ele tem! Soube de um caso de um médium de cura que se apresentou para trabalhar em certa Casa Espírita. O dirigente, em função da carência de médiuns, capacitados a realizar aquele tipo de trabalho, abriu uma exceção e deixou-o trabalhar, antes de harmonizar-se com a Casa. Aos poucos, começaram a surgir reclamações contra o médium, da parte de maridos ciumentos, em virtude de ele ter começado a tocar as pacientes e dar-lhes abraços. Como se vê, trata-se de um pedreiro metido a mestre-de-obras. Outra prática não recomendável é a Diretoria da Casa não dar um passo, mesmo de caráter administrativo, sem consultar os Espíritos, considerando-se que já existe uma organização administrativa. Essa diretoria tem que se valer do Estatuto e do Regimento da Casa, ou usar o bom senso e não ficar a toda hora recorrendo à espiritualidade. Outra situação crítica é como fazer para levantar dinheiro para adquirir os enxovais das gestantes, por exemplo. A solução menos apropriada é a realização de bingos e rifas, porque os Espíritos zombeteiros tomam conta da situação. Lembrou o que aconteceu na inauguração do Centro Espírita União. Os salgadinhos estavam sobre a mesa quando, em um dado momento, faltou energia. Pouco tempo depois, as luzes se acenderam, tendo-se, naquele momento, a triste constatação de que só restara uma única coxinha na mesa. Os convidados eram espíritas, vale ressaltar. Em um dado Centro, destacava-se o trabalho realizado com a juventude. Esse trabalho bem feito, não resta dúvida, constituía uma ameaça para as trevas. A espiritualidade inferior investiu em um médium de consulta, que estava fragilizado. Em uma comunicação mediúnica de um suposto mentor espiritual, ele começou a falar em um tom áspero, dando um carão na equipe mediúnica e procurando impor sua vontade. Sabe-se que um bom Espírito jamais dá carão em ninguém ou impõe seu modo de pensar. Há para eles, certo sacrifício, que não sentem como tal, no cumprimento de missões aqui na Terra, considerando-se o fato de a psicosfera terrestre ser muito densa. Eles merecem crédito, porque estão trabalhando no bem, mas não merecem total confiança. Nenhum deles tem o conhecimento pleno de tudo. No livro Alma Gêmea, de Emmanuel, ele recomenda que se deve questionar, como ocorreu, quando um Espírito procurou acabar com a iniciativa da Juventude: -É isso mesmo que você está dizendo?

Falando de si, disse que aos 18 anos era ignorante e que agora se acha muito mais. Quando jovem, tomava atitudes que provocavam algum tipo de celeuma. No Centro que começou a freqüentar, às quartas e sábados havia mediúnicas, feitas por grupos diferentes. Na quinta-feira à noite, eram feitas as consultas, tendo sido dito para todo mundo ir de branco, naquele dia. Ele foi de preto e sem tomar banho, porque passava pela Av. Agamenon Magalhães, em Recife, onde existe um canal, do qual exala um mau cheiro terrível, não adiantando nada tomar banho e chegar ao Centro, do mesmo jeito, com aquele fedor de lama, disse sorrindo. Logo ao entrar no Centro, foi-lhe dito que seria o primeiro a ser atendido, pois o Espírito queria falar com ele. Tratava-se do Espírito que dava consulta. Entrou na sala de consulta e encontrou um médium do tipo Afrin (descongestionante nasal), que quando incorpora, fica fungando. Sabe-se que Espíritos imperfeitos se irritam facilmente. O Espírito começou a repreendê-lo e a falar-lhe alto. Liszt não se deu por rogado, e respondeu-lhe à altura: -Pode parar de gritar comigo, disse. Eu o conheço? Vim de ônibus, todo suado e não foi para ficar levando carão. Se quisesse falar comigo, que fosse a Olinda, onde moro. O Espírito reclamou pelo fato de ele ter vindo de roupa escura e informou-lhe que o uso da roupa branca era devido à pureza dos fluidos e para que eles penetrassem melhor. Pensou consigo: -Vai dizer isso para aquele “negão” de 1,98 m, que está na fila para ser atendido! Como é que os fluidos vão penetrar nele? Foi feito um trabalho de pesquisa com 10 médiuns de consulta, durante 1 ano e 8 meses, pela diretoria de um Centro, tendo sido constatado o que se segue: 4 médiuns estavam mentindo, fraudando; 4 estavam obsediados, mistificando, pois eram vítimas de mistificadores. Assim, dos 10, somente 2 eram confiáveis. Mesmo os instrumentos de revelação da lei de Deus são vítimas de Espíritos mentirosos, mistificadores e pseudo-sábios.

“Todo médium que se ofende com a crítica das comunicações que obtém, é o eco do espírito que o domina e esse espírito não pode ser bom…”

Allan Kardec (L.M. – Cap. 23)

Perfil do mistificador

“…um Espírito hábil, astuto e profundamente hipócrita…”

“…o Espírito tem a arte de lhe inspirar uma confiança cega que lhe impede de ver a fraude e de compreender a absurdidade do que escreve, mesmo quando salta aos olhos de todo mundo…”

Allan Kardec (L.M. – Cap.23)

“Como conhecem o prestígio dos grandes nomes, não têm nenhum escrúpulo em se ornar daqueles diante dos quais nos inclinamos, e não recuam, mesmo diante do sacrilégio de se dizerem Jesus, a Virgem Maria ou um santo venerado.”

Allan Kardec (L.M. – Cap.23)

Não têm o menor pudor. Certo médium disse que recebia Jesus, o qual fazia importantes revelações sobre a comunidade da circunvizinhança. Representantes da Federação foram ao Centro, para constatar o que estava sendo afirmado. Lá, chegaram à conclusão de que se tratava do Espírito Jesus Morais da Silva, desencarnado há algum tempo, que morara no local e conhecia bem os fatos daquela comunidade.

Noutro Centro, nas reuniões mediúnicas, era deixada uma cadeira vazia, tendo-lhe sido dito que estava reservada para Jesus. Bezerra de Menezes é outro Espírito que é muito pirateado, clonado. Estão fazendo cópias, plagiando-o. Há casos de Espíritos que se utilizam de médiuns de psicopictografia (pintura mediúnica), para pintar e assinar telas, usando nomes de grandes mestres da pintura. Santo Agostinho, Francisco de Assis, Ivone Pereira e Bezerra de Menezes são, frequentemente, plagiados.

Especial atenção se deve tomar, com relação a certas comunicações, dependendo do contexto em que as frases se encontrem, tais como as que se seguem;

-Não deixem os cargos;

-Estou vendo tudo;

-Cabo eleitoral de A ou B, que pede votos para elas, porque são pessoas capazes, competentes, etc.

Contou o caso de um Centro Espírita com problemas judiciais, em que a chama da discórdia havia prosperado, justificando que fosse feita uma intervenção judicial. O Juiz, encarregado do caso, deu uma lição de moral nos espíritas, dizendo: -Vocês se dizem cristãos e estão brigando? Como é que uma instituição filantrópica como a de vocês, encontra-se nessa situação?

Tem-se observado que se encontra em curso um processo de massificação e de banalização dos bons costumes, através da supervalorização do sexo (vender o corpo, sex-shops, etc.) e da exacerbação da vaidade (o programa Big Brother Brasil mostra pessoas que se expõem e desnudam seu interior, com o intuito de aparecer na TV e ganhar seus 15 minutos de fama). Nosso principal objetivo é educar ou reeducar almas que, praticamente, já perderam tudo. Isso, porém, não pode ser feito através de um assistencialismo nocivo, gerador da ociosidade. Assim procedendo, estamos dando paliativos, mas não estamos construindo as bases. Estamos diante de um processo de degeneração social e moral, cujo ícone, de beleza passageira, está consubstanciado em propostas que mantêm a ignorância social e de forma alguma conseguem contê-lo.

Fomos a certa região participar de um evento espírita. Temos a obrigação de passar adiante a experiência que já temos, a respeito de fenômeno de efeito físico ou inteligente. Constatam-se, por onde se anda, casos de pessoas que ouvem vozes e barulhos estranhos; presenciam deslocamentos de objetos e vêem Espíritos, dentre outros fenômenos inusitados para elas. Constata-se, também, infelizmente, que o Centro Espírita é o último lugar que as pessoas procuram para resolver problemas dessa natureza. Vão primeiro às igrejas evangélicas, para afastar o satanás; depois à igreja católica, para fazer o exorcismo e, por último, procuram uma Casa Espírita. Na sua ida para lá, por falta de uma explicação mais detalhada de como chegar ao local, acabou perdendo-se e atrasando-se. Em função de seu atraso involuntário, os comentários eram do tipo: -Ele vai chegar, pois não é nenhum irresponsável. Pela descrição do acesso que lhe fora passado, sobe ladeira, desce, entra aqui à esquerda, ali à direita, acabou se perdendo e entrando em um local, que parecia ser o Centro, onde se realizaria o evento. Logo na entrada, viu uma imagem de S. Jorge. Para eles, a imagem representa uma projeção do que gostariam que acontecesse, ou seja, que fossem assistidos por tal entidade. Era dia de festa de Ogum. Procurou um senhor de nome Adilson e, por acaso, havia alguém lá que tinha esse nome. Ao falar com ele, porém, ficou esclarecido o engano, pois o Adilson procurado não era aquele. Aconteceu que havia entrado no lugar errado. Ensinaram-lhe o caminho correto e aí ele pôde chegar ao local previsto. Lá chegando, soube da existência de um médium de cura, de nome Robertão, que era agente penitenciário. Era bem alto, mas quando incorporava ficava mais alto ainda, pois andava, levantando as pontas dos calcanhares. Ficava de 3 a 4 horas incorporado. A fila de atendimento dobrava o quarteirão. Na ocasião, foi trazida uma mulher louca, que começou a quebrar tudo. A mulher parecia um bicho. Para resolver o problema, a solução era chamar quem? Claro, o Robertão. Só que ele já tinha ido embora. Evocaram, então, o Dr. Bezerra de Menezes. Do outro lado da rua morava uma rezadeira, que começou a rir daquela confusão. Veio o suposto Dr. Bezerra, que falou bastante, tentando doutrinar o Espírito, mas este continuou possesso. Foi uma experiência marcante. O médium Robertão incorporava o Espírito Waldir, que fora, em vida, médico cardiologista, o qual tinha problemas nos pés, e andava do mesmo jeito que o Robertão.

“São quase sempre palavrosos, muito prolixos, procurando compensar a qualidade pela quantidade.”

Allan Kardec (L.M. – Cap.23)

Terapia

“…a única coisa a fazer com ele é tentar convencê-lo de que está enganado, e de conduzir sua obsessão para o caso de obsessão simples, mas isso nem sempre é fácil, se não é mesmo algumas vezes impossível…”

Allan Kardec (L.M. – Cap. 23)

“…quando se reconhece a inutilidade de toda tentativa para descerrar os olhos do fascinado, o que há de melhor a fazer é deixá-lo com suas ilusões. Não se pode curar um enfermo que se obstina em conservar seu mal e nele se compraz.”

Allan Kardec (L.M. – Cap.23)

Podemos orar pelo médium obsediado, mas é ele que tem de buscar uma saída, quando se reconhece nessa condição.

Publicações

Com relação às publicações de livros espíritas, tem-se:

Não se pode estar demasiado circunspecto quando se trata de publicar esses escritos; as utopias e as excentricidades, que são neles frequentemente abundantes, e que chocam o bom-senso, produziriam uma desagradável impressão nas pessoas noviças, dando-lhes uma idéia falsa do Espiritismo, sem contar que são armas das quais seus inimigos se servem para o ridicularizar. Entre essas publicações, há as que, sem serem más e sem provirem de uma obsessão, podem ser consideradas como imprudentes, intempestivas ou desastradas. Allan Kardec (L.M. – Cap.23)

Kardec, por exemplo, primava pelo bom senso. Ele só aceitava até duas mensagens de Lázaro, por exemplo.

Subjugação

“A subjugação é uma opressão que paralisa a vontade daquele que a sofre… Pode ser moral ou corporal…”

Allan Kardec (L.M. – Cap.23)

Uma jovem dotada da faculdade mediúnica de efeitos físicos, apareceu, certa feita, com as costas marcadas por linhas vermelhas. Vendo aquilo, um arcebispo orientou-a a procurar um Centro Espírita pois, segundo ele, era quem poderia ajudá-la. Eram marcas de chicotes. Ela sofria dessas chicotadas desde sua adolescência. Essas marcas eram feitas, também, nas coxas e nas batatas das pernas. Sentia um ardor forte. Daquela vez, sua blusa estava molhada de sangue. Foi-lhe dito para tratar-se e estudar, mas que deveria fazê-lo, não na reunião mediúnica, mas na evangelização infantil. Essa informação foi levada a ela, infelizmente, quando já estava madura. Passou a lidar com criança, movimentando sentimentos de inocência e de ignorância. Jesus disse para nos tornarmos semelhantes às crianças verdadeiras, com sonhos e fantasias. As crianças não foram ainda moldadas pelo juízo de valor da sociedade. Durante os oito anos que se seguiram, os fenômenos foram diminuindo. Uma ou duas chicotadas aconteciam, quando entrava em sintonia com os Espíritos que a obsediavam. Em uma encarnação anterior fora o feitor de uma fazenda de escravos. Seu caso tratava-se de uma subjugação física (corporal).

Entre aqueles que são tratados por loucos, há muitos que não são senão subjugados; ser-lhes-ia necessário um tratamento moral, ao passo que os tornam loucos verdadeiros com os tratamentos corporais.

Allan Kardec (L.M. – Cap.23)

Para tal fim, é usado o eletrochoque, que é um tipo de tratamento, como o próprio nome já diz, de choque. Observa-se que há pouca campanha incentivando a visita a hospitais psiquiátricos. É possível que seja por medo de serem agredidos, mas na verdade, apenas 10% são agressivos. A esquizofrenia é auto-obsessiva e obsessivo-espiritual. É preciso que tais doentes mentais tenham um acompanhamento psicológico. Não pode descuidar, também, da parte física. No Espiritismo, pode ser feito até determinado ponto mas, daí em diante, só nos hospitais. Há transtornos mentais que terminam em obsessão espiritual, assim como, há obsessões que resultam em transtornos psíquicos, concomitantemente.

A comunicação mediúnica passa pelos porões do psiquismo do médium, para filtrar.

Terapia

“Seus resultados variam segundo os pacientes, suas fichas cármicas e os esforços que empreendem para destrinçarem a trama em que se envolvem.”

Philomeno de Miranda (Nas Fronteiras da Loucura – p. 15 a 17)

Término do 3º Módulo: 15:40 h

Início do 4º Módulo: 16:13 h

PERGUNTAS:

P1. Qual é sua opinião sobre as obras psicografadas pelo Espírito Inácio Ferreira, através de vários médiuns de psicografia?

R1. Conhece as obras psicografadas pelo Espírito Inácio Ferreira, que em vida foi médico psiquiatra. A doutrina espírita é uma sequência reveladora, porém, não se pode modificar a base. É preciso conhecer essas obras, lê-las, para poder criticá-las. As mensagens que li eram esdrúxulas. Tem-se que ter em mente o princípio de não “soltar” Kardec nunca. Quando disse a alguém, certa ocasião, que estava lendo O Céu e o Inferno, essa pessoa espantou-se, dizendo: -Ainda? Somente com Kardec consegue-se entender outras obras. Como é que alguém que leia Nosso Lar, de André Luiz, sem conhecimento da doutrina, vai entender quando ele fala sobre um ônibus espacial? E como é possível compreender que um Espírito possa sonhar? Com relação às revelações sobre Chico Xavier, estão sendo realizadas pesquisas mais sérias, que não foram ainda divulgadas. Não se sabe, com convicção, se o Chico foi Kardec. Chico segurava muito a língua. Seu linguajar era doce e suave, como o de Scheila e Meimei. Muito pouco tempo havia se passado desde o desencarne de Kardec, para que ele reencarnasse como Chico. Chico escrevia o que lhe era ditado por Emmanuel ou André Luiz, principalmente. O trabalho de Kardec estava ao nível de uma falange de consoladores. Certa ocasião, Kardec foi alertado, através de pancadas, sobre algo que escrevia e que incomodava os Espíritos. Sentiu que algo não estava dentro da conformidade, o que o levou a perguntar: -Onde está o erro? O Espírito não lhe disse onde estava o erro, mas disse-lhe para ler entre a 1ª e a 30ª linhas. Quando Chico estava mal humorado, triste, Emmanuel o empurrava. Embora tenha-se passado um tempo menor ainda, na erraticidade, Bezerra de Menezes está mais para Kardec do que Chico. Existe um controle universal dos ensinamentos dos Espíritos. Uma ciência não pode ter como revelação, mentiras. A verdade tem que ser de cunho universal. Tem que haver repetição, proporcionada por várias comunicações. Kardec era um profeta e um visionário. Conforme o Projeto 1878, que profetizava que o Espiritismo deveria ser um veículo de divulgação de massa, constata-se, nos dias de hoje, que o atraso já é de 130 anos. Kardec preocupava-se com os oradores, que divulgavam a doutrina, pois vários deles “perderam” suas famílias, que não aceitavam suas missões.

O conhecimento da Terra é apenas um ingresso para o mundo espiritual. Não tornemos a utopia da véspera, na realidade do dia de amanhã. Há necessidade da universalidade dos ensinamentos espíritas. O fato de Chico Xavier ter sido Kardec é uma utopia. Todo fenômeno, para ser aceito, necessita de um exame crítico. O mesmo se diz de Joanna D´Arc, que teria sido a reencarnação de Judas. Do mesmo modo, Francisco de Assis teria sido a de João, O Evangelista. Para comprovar tais assertivas, há necessidade de um trabalho sério, não isolado. Afirmações como essas podem expor a doutrina espírita ao ridículo.

P2. É correto um médium participar de reuniões mediúnicas em mais de um Centro Espírita?

R2. No Entremédiuns anterior essa resposta já foi dada. De qualquer forma, tal resposta poderá ser encontrada no Cap. 20 do livro Desobsessão, de André Luiz.

P3. A mesma pergunta anterior, em casas e dias diferentes?

R3. O médium doente deve abster-se de participar de reuniões mediúnicas, mesmo em uma única Casa Espírita. Nas reuniões mediúnicas, há manipulação de energia. Numa mesma Casa Espírita, pode até mesmo acontecer que as energias não estejam perfeitamente uniformizadas, quanto mais se o médium participar de reuniões em duas Casas distintas. Há diferenças entre elas, peculiaridades de cada uma, que podem causar mal-estar administrativo ou de outro teor. Casa há cujo passe é dado com a luz acesa, e outra com a luz apagada. Há aquela que mantém, na reunião, médiuns, com a finalidade de fazer vibração. No seu modo de ver, o médium tem que ter uma função.

P4. O obsediado tem que ter tendências suicidas?

R4. Os livros Nos Domínios da Mediunidade, de André Luiz, e A Obsessão e Suas Marcas, da Dra. Marlene Nobre, tratam desse assunto. Contou o caso de uma obsessão compartilhada. Um rapaz gosta de beber, embora não seja dependente da bebida. Sofre o assédio de um Espírito obsessor, que também gosta da bebida, compartilhando o vício com a entidade. O equívoco moral está relacionado à fragilidade do Espírito. Trata-se de feridas morais. Uma pessoa com dificuldades financeiras, desesperada, resolve jogar no bingo. Os Espíritos manipulam os resultados. Pinheiro Ramos escreveu, quando encarnado, sobre um Espírito que falava aos familiares de uma determinada pessoa, que estava passando por dificuldades financeiras, que iria ajudá-la a ganhar no jogo do bicho. A pessoa começou a jogar e como não conseguiu ganhar o dito Espírito se apresentou chorando e dizendo: -Até que tentei. Esse Espírito até que não era dos piores, mas há deles, da pesada, que escolhem quem vai ganhar. Para esses casos é preciso maturidade para ajudar. Há quem não tenha perfil de homicida, mas se a vítima sintonizar com um que tenha, pode ser forçado a cometer o suicídio, a partir de um delírio psíquico.

A subjugação causa um desequilíbrio mental (psíquico). Se existe o instinto básico da agressão, ela pode acontecer. Freud chamava de pulsões, aos instintos de agressão e sexual. Formas de agir dos obsessores que subjugam alguém:

-Exacerbam o sentimento de cólera;

-Exploram as tendências existentes;

-Agem sobre quem está invigilante;

-Utilizam-no contra o próximo, fazendo-o de instrumento para suas ações.

P5. É correto passar várias horas incorporado nas sessões de cura?

R5. Depende da estrutura psíquica e física do médium. Ocorre um deslocamento do chacra genésico para prover o fluido vital necessário, para que possa suportar essa maratona mediúnica.

P6. Se o médium está sofrendo um processo obsessivo, deve afastar-se dos trabalhos mediúnicos?

R6. Do passe e das reuniões mediúnicas, sim. Pode participar das palestras, mantendo-se vigilante. Não deve ficar ocioso, pois como se sabe, “mente vazia, oficina para o diabo”.

P7. O que dizer dos médiuns que deixam de desempenhar suas atividades por estarem em choque com os dirigentes?

R7. Se o desentendimento é por causa de alguma crítica feita ao dirigente, tem que criticar, fazendo-o, abertamente. Se não escuta, retira-se. O gato gosta da mordomia da casa, mas não gosta do dono. É ambicioso e tem soberba. O cachorro, ao contrário, é humilde e gosta de seu dono. Conhece uma senhora que dá Lexotan ao seu gato, Mimoso, quando vai mudar-se. Conhece outra pessoa que queria se livrar de seu gato. Deixou-o em um lugar mais ou menos perto e quando chegou em casa ele já estava lá, de volta. Ensinaram-lhe que deveria colocá-lo em um saco, levá-lo para bem longe e sacudi-lo dentro do saco, para desorientá-lo, soltando-o, a seguir. Fez exatamente como lhe haviam ensinado. Foi a um local tão escondido, que acabou se perdendo e como não sabia mais como voltar, ligou para casa para irem buscá-lo. Pior foi a surpresa que teve quando chegou em casa, pois lá estava o danado do gato, de novo. Desistiu de livrar-se dele.

P8. Devem-se fechar as portas da reunião mediúnica, para evitar a perturbação dos Espíritos desencarnados?

R8. Apesar de estranha a pergunta tem cabimento, pois em um Centro foi criada a figura do médium de segurança, o qual ficava de braços abertos na porta da sala, para evitar a entrada de Espíritos indesejados. Em outro, dois médiuns ficavam se jogando na parede, para quê? – não se sabe. Isso tudo é um verdadeiro delírio.

P9. Qual é a quantidade de médiuns que devem participar de uma reunião mediúnica?

R9. Varia conforme o autor. Vejamos:

Kardec: 23 a 25 médiuns;

Léon Dennis: 4 a 8

Hermínio Correa de Miranda: com até 2 pessoas pode ser feita uma boa reunião mediúnica

Manoel Philomeno de Miranda: 12 participantes.

P10. Se o médium é inconsciente, pode tornar-se uma presa fácil de obsessores?

R10. O médium tem a proteção dos Espíritos benfeitores que participam da reunião, não sendo, portanto, mesmo na condição de inconsciente, uma presa fácil dos obsessores. De qualquer forma, os médiuns podem ser vítimas de fascinação, que é compartilhada também, função de seu orgulho e vaidade.

P11. Como é possível transformar uma obsessão do tipo fascinação em uma obsessão simples?

R12. Conversando, argumentando, trazendo-o à razão e convencendo-o a sair da inconsciência em que se encontra, para a consciência. O médium nessa situação, caso não se cuide, pode vir à loucura e até mesmo chegar a um processo simbiótico (subjugação).

P12. Como fixar os conhecimentos transmitidos?

R12. Procurando introjectá-los. Usá-los, primeiro, a seu favor. Vai contagiando, a seguir, os grupos. Se o grupo estagnar, ir avançando sozinho.

P13. Existe mediúnica a distância?

R13. Quando vai dar aula, faz uma prece antes. A presença física de quem vai ser tratado não é essencial. O que vale mesmo é aquele que precisa de tratamento querer ser tratado. O que conta, na realidade, é a conexão do pensamento e da vontade. Quando isso ocorre, o próprio Universo conspira para o seu crescimento.

P14. Se o médium não sente os sintomas, é porque está mistificando ou se trata de animismo?

R14. A resposta a essa pergunta pode ser encontrada no Caps. 4 e 14, itens 5 a 9, de O Livro dos Médiuns. Há casos em que não ocorre tanta dissociação do perispírito do médium. Se o médium persiste em não sentir os sintomas, pode ocorrer a perda da faculdade, como ocorre a quem toca piano, pinta ou escreve e pára de fazê-lo por um tempo.

P15. Os seres elementais são a mesma coisa que duendes?

R15. O Livro dos Espíritos faz referência aos seres elementais, que são Espíritos primitivos, comandados por Espíritos evoluídos. Não se deve dar crédito aos chamados duendes, pois isso é o mesmo que procurar potes de ouro onde nasce o arco-íris. As perguntas 611 a 613, de O Livro dos Espíritos trata da metempsicose.

Dados compilados por Orlando Mota Maia, trabalhador do Centro Espírita Aurora Redentora.

(Quaisquer impropriedades, incorreções ou falta de fidelidade, com relação ao que o palestrante disse, são decorrentes da nossa incapacidade de anotar e/ou reter tudo quanto foi falado, com a precisão devida, bem como, pela não perfeita assimilação, de nossa parte, da mensagem transmitida).

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