No livro “A Vida Escreve”, escrito através da psicografia de Chico Xavier, o espírito Hilário Silva dá-nos a conhecer o episódio mais sublime da sua vida: uma noite, após adormecer, Eurípedes desdobrou-se espontâneamente e sentiu-se a subir, a subir, a subir, notando uma atmosfera cada vez mais límpida e ténue.
Viu-se então numa paisagem linda e, olhando à sua volta, reparou que, ao longe, havia alguém sentado que parecia meditar.
Houve, porém, um momento que parou, trêmulo. Algo lhe dizia no íntimo para que não avançasse mais. E, num deslumbramento e contentamento, reconheceu-se na presença do Cristo.
Baixou a cabeça, esmagado pela honra imprevista, e ficou em silêncio, sentindo-se como intruso, incapaz de voltar ou seguir adiante.
Aproximou-se, viu que era Jesus, e que estava a chorar.
Abriu a boca e falou, suplicante:
– Senhor, por que choras?
Porém, Jesus não respondeu. Mas desejando certificar-se de que era ouvido, Eurípedes falou, novamente:
– Choras pelos descrentes do mundo?
Enlevado, o missionário de Sacramento notou que Cristo lhe correspondia agora ao olhar. E, após um instante de atenção, respondeu com uma voz doce:
– Não, meu filho, não sofro pelos descrentes aos quais devo amar. Choro por todos os que conhecem o Evangelho, mas não o praticam…
Eurípedes não saberia descrever o que se passou então. Como se caísse em profunda sombra, ante a dor que a resposta lhe trouxera, desceu, desceu… e acordou no corpo de carne. Era madrugada, levantou-se e não mais dormiu.
E, desde aquele dia, sem comunicar a ninguém a divina revelação que lhe vibrava a consciência, entregou-se aos necessitados e aos doentes, sem repouso sequer de um dia, servindo até a morte.
"Eurípedes Barsanulfo, o Apóstolo da Caridade"

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