Felicitados pelas bênçãos com que o Espiritismo nos distende o socorro do Céu, busquemos no Evangelho o roteiro da Humanidade sublimada.

        Intérprete fiel do Pai Celestial, foi Jesus o Excelente Médium da vida abundante.

        Em todo o seu ministério, esteve em freqüente comunhão com os desencarnados, sendo, por isso mesmo, denominado “Senhor dos Espíritos”.

Obsidiados e loucos, fascinados e dementes, paralíticos e mudos, surdos e cegos receberam das suas mãos o auxílio vigoroso que os libertou dos desencarnados de mente atormentada, que os detinham sob o fardo de aflições indescritíveis.

  • Maria a famosa cortesã de Magdala, dominada por pertinaz fascinação obsessiva, recebeu dEle o convite libertador, renovando-se para a vida nobilitante.

  • Em Cafarnaum, “cheqada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e ele com a sua palavra expulsou deles os Espíritos” atormentadores que se compraziarn em obsidiar coletivamente(1)

  • Descendo do Tabor, um pai aflito, de joelhos, diz-lhe: — “Senhor, tem misericórdia de meu filho, que é lunático e sofre muito”, apresentando, na mediunidade torturada, os estigmas de obsessão profunda.(2)

  • O paralítico de Cafarnaum, que lhe foi apresentado “pelo telhado”, portava consigo a mediunidade ultrajada por Espíritos possessivos que lhe dominavam os movimentos.

  • O endemoninhado gadareno, médium obsidiado por “Legião”, defrontado com o seu magnetismo curador, estertorava, “porque lhe dizia: Sai deste homem. Espírito imundo.”(3)

  • Nos termos de Tiro e Sidon, “uma mullher cuja filha tinha um espírito imundo” e vivia vampirizada pela força maléfica, encontrou alívio para o desequilíbrio psíquico que a infelicitava.(4)

  • Judas, perturbado por obsessão indireta, serviu de fácil presa dos Espíritos levianos, “tendo-lhe o demônio posto no coração” a dúvida a respeito do apostolado.(5)

        E, em todo o Novo Testamento, repontarn as afirmações sobre a Mediunidade em volta do Mestre Divino.

  • Em Caná, o Senhor honrou a mediunidade de efeitos físicos.

  • No Tabor, o Cristo elieceu a faculdade da transfiguração.

  • Sobre as águas do Genesaré, o Enviado Celeste prestigiou os recursos psíquicos da levitação.

  • Na Montanha, atendendo à multidão esfaimada, Jesus movimentou o mecanismo da materialização abundante.

  • O cego de Jericó foi por Ele felicitado no exercício da mediunidade curadora.

  • Em Nazaré, ante a turba enfurecida, utilizou a faculdade da desmateriaIização.

  • No dia do Pentecostes, favoreceu os companheiros da retaguarda com a psicofonia, desenvolvendo neles a mediunidade poliglota.

  • E no dia da ascensão triunfal, junto ao lago, na Galiléia, depois de investir os discípulos no sacerdócio da Mediunidade nos seus múltiplos aspectos, alçou-se ao Reino, nimbado de radiosa materialização luminosa.

        Iniciou o ministério entre os homens, nas humildes palhas de modesta estrebaria, com o lar assinalado pelas forças espirituais condensadas numa estrela fascinante, e despediu-se dos companheiros, fulgurante como um sol de eterna luz…

        Mediunidade, hoje, é recapitulação da Boa Nova sob a Presidência do Sábio Condutor.

        Procuremos, assim, sintonizar com a Esfera Superior, no exercício da faculdade com que a vida nos honra, e sirvamos sem desfalecimento.

        Toda mediunidade é lie quando a libertamos da sombra que nasce conosco, como remanescente do passado.

Somos destinados á luz.

        Temos a fatalidade do bem.

        Libertemos a gema que se demora entre os cascalhos das imperfeições pessoais e, lapidando zelosamente as arestas que obstaculizam a projetação da luz, desenvolvamos os preciosos recursos que jazem latentes em nós.

        Honremos a faculdade que nos felicita os dias, mediante a execução de um plano socorrista em favor dos sofredores, a fim de nos libertarmos do currículo das manifestações inferiores.

        Cada médium segue o roteiro que se desdobra como senda de purificação.

  • Uns curam, outros materializam;

  • uns doutrinam, outros enxergam;

  • uns falam, outros escrevem;

  • uns ensinam, outros ouvem;

  • uns libertam, outros servem na incorporação psicofônica, ajudando os atormentados do Além-Túrnulo com as preciosas luzes do Evangelho.

        Não pretendamos atender a todos os “dons espirituais” conforme a linguagem do Vidente de Damasco, que nos apresentou a diversidade deles em sua memorável carta aos Coríntios, 1-12:4-11.

        Utilizemos a força mediúnica em todo tempo e lugar, consoante as necessidades, examinando se “os Espíritos vêm de Deus” e ensinando que todo o bem procede sempre do Pai que nos rege a vida.

        E, calcando sob os pés dificuldades e óbices, vencendo as imperfeições milenárias, restauremos a Era do Espírito nestes dias que precedem ao Primado da Verdade, mesmo que mantenhamos no coração um espinho, na posição de seta direcional apontando o rumo dos Altos Cimos.

(1) Mat. 8.16; (2) Mat. 17-14; (3) Mar. 5-8; (4) Mar. 7-25; (5) Jo. 13-2, (Notas do autor espiritual)

Do livro À LUZ DO ESPIRITISMO

Ditado pelo Espírito Vianna de Carvalho, psicografado por Divaldo P. Franco

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