Capacidade de intermediar dois mundos interdependentes – material e espiritual –, que se conectam através de uma gama enorme de vibrações, a mediunidade requer comprometimento e estudo para se evitar desequilíbrios e decepções. “Qual ocorre com qualquer faculdade orgânica ou intelecto-moral, a mediunidade desvestida de mitos e tabus, exige cuidados especiais e competente educação.”[2] Quando a mediunidade eclode, é necessário encarar com seriedade a questão, deixar de lado receios e preconceitos. Procurar orientação na casa espírita, estudar as obras básicas da doutrina e tudo que diz respeito à mediunidade e seus mecanismos. Convém destacar a importância do estudo, que propicia ao médium o conhecimento do que ocorre consigo, minimizando ou até mesmo evitando o medo, a ansiedade e a insegurança, elementos comuns no desabrochar das faculdades mediúnicas. Segundo Raul Teixeira, a falta de conhecimento pode levar o indivíduo a criar empecilhos de modo consciente ou inconsciente, a fim de fugir da mediunidade nascente, o que pode causar embaraços e perturbações. Assevera ainda, que é através do estudo das obras básicas da doutrina, que o médium passa a realmente entender quem ele é, o motivo e a finalidade de suas faculdades mediúnicas (Franco, Divaldo e Teixeira, Raul, 1995).[3]Conseqüentemente, participar de reuniões doutrinárias, palestras, grupos de estudos, e trabalhos assistenciais, é de grande valia para o médium incipiente.“Em qualquer circunstância, no exercício da mediunidade por Jesus, da orientação mediúnica por Jesus, a caridade e o exemplo devem ser as molas propulsoras para os resultados felizes que se espera no ministério dignificado”.[4]O trabalho assistencial favorece a sintonia com bons espíritos, que percebem a vontade e a disposição do medianeiro em querer trilhar o caminho certo. Assim, se aproximam deste com simpatia, auxiliando-o através de influências benéficas e de competente proteção espiritual. A prática mediúnica, edificada no bem e amparada pelo escudo da oração, proporciona ao medianeiro, solidez no equilíbrio e maior capacitação espiritual nas lides transcendentais.

O desenvolvimento da mediunidade requer, além do estudo, educação e disciplina dos recursos extra-sensoriais, que possibilitará ao indivíduo exercer as funções mediúnicas com circunspeção e responsabilidade. A educação das forças mediúnicas propicia uma conduta equilibrada durante o transe mediúnico, sem ritos, tiques, trejeitos e outros maneirismos, perfeitamente dispensáveis da prática mediúnica. A educação ocorre paulatinamente, através do exercício metódico e disciplinado da mediunidade no trabalho da caridade. Portanto, a educação mediúnica acontece ao longo da vida, aprimorando a sensibilidade, ampliando o potencial de trabalho do sensitivo, que quanto mais se dedica ao labor na seara espírita, mais aperfeiçoado e dúctil torna-se como instrumento de intercâmbio entre os dois mundos.“A mediunidade escoimada de toda e qualquer influência negativa é fruto do trabalho perseverante, do estudo constante, da disciplina cotidiana e, sobretudo, da sinceridade das intenções do medianeiro”.[5]

Mediunidade não é sinônimo de elevação moral ou espiritual. Poucos são os medianeiros missionários na verdadeira acepção da palavra. Na sua grande maioria, os médiuns são almas com débitos pendentes na economia das encarnações passadas, que retornam compromissados com a mediunidade. “A mediunidade via de regra, é oportunidade para o resgate do passado, com a conseqüente correção das próprias deficiências (…). Mediunidade em síntese, é obra de reabilitação[6] Logo, mediunidade é compromisso, resultante na maioria das vezes, das tergiversações de passados delinqüentes, que se apresenta como oportunidade abençoada de resgate e crescimento espiritual. Compromisso este, que deve ser cumprido, com honestidade e humildade; sua ruptura pode causar conseqüências danosas ao ser em sua jornada evolutiva.

O exercício do ministério mediúnico implica em responsabilidade, que deve sempre nortear o comportamento do medianeiro, seja na sua vida particular, seja no labor mediúnico. As faculdades mediúnicas devem sempre ser empregadas no exercício do bem, e nunca devem ser utilizadas a serviço de objetivos fúteis, indignos e vulgares, com risco do medianeiro se enveredar em caminhos tortuosos, que podem levar a desequilíbrios psíquicos e emocionais. O fato de sermos ainda espíritos imperfeitos na trajetória evolutiva exige cuidado e vigilância, principalmente por parte dos médiuns, para que não tropecem nas ciladas da vaidade e do orgulho. Estas são imperfeições perigosas para qualquer ser, principalmente para os médiuns, que facilmente tornam-se presas dóceis de espíritos levianos e malfazejos. Estes podem provocar a derrocada moral, dos medianeiros incautos, que se enredam nas teias sutis da soberba sem dar-se conta do ato e das conseqüências funestas que advirão.

Com certeza, o ministério mediúnico não é uma tarefa fácil, mas também não é impossível de exercê-lo com dignidade. Basta trabalhar sob a égide da doutrina espírita, nas hostes do Evangelho de Jesus, com a consciência de que tem ao seu dispor abençoado instrumento de ascensão espiritual.

Sonia Maria da Silva Loyola

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