Em respeito a alguns companheiros que nos têm indagado sobre o “funcionamento” de um blog entre os Dois Mundos, como este que temos mantido no ar, com o único intuito deinteração — digamos — mais estreita e regular com os irmãos encarnados, esclareço que o processo não tem nada de sobrenatural. Infelizmente, não disponho, como muitos imaginam, de um computador acoplado ao notebook do médium — talvez, um dia, até cheguemos lá! Do jeito que as coisas vão indo, com e apesar do conservadorismo de muita gente, que ainda permanece presa à época das “mesas girantes”, dentro de pouco tempo, o intercâmbio entre encarnados e desencarnados haverá de descortinar-se em novos horizontes.

O método que empregamos, porém, na transmissão das páginas que, semanalmente, aqui são publicadas, é o mesmo da Psicografia, cuja única diferença consiste que, em vez de empunhar um lápis ou mesmo uma caneta, o médium digitaliza! Qual é o problema?!

Eu não sei se vocês sabem, mas Chico Xavier, por exemplo, costumava psicografar diretamente a máquina datilográfica, notadamente quando recepcionava as crônicas e os contos de Humberto de Campos. Alguns outros livros de sua lavra, conforme se esclarece no prefácio de um deles, foram recebidos pela clariaudiência, ou seja, pelo ouvido!

Não pensem vocês que a mediunidade, em termos de transmissão e recepção, também não evolua. Aliás, equivocadamente, muitos rotulam de psicografia mecânica ou semimecânica o que não passa de escrita intuitiva, sendo que, na maioria das vezes, o espírito comunicante se encontra a considerável distância… Estimaria que, a respeito, os nossos irmãos internautas lessem a excelente obra “Instruções Psicofônicas” — leiam a obra inteira, que é imperdível, mas atentem para o método de recepção da mensagem de autoria de Bittencourt Sampaio. Muitos dos espíritos que se comunicam com os médiuns na Terra (quase arriscaria dizer a maioria) não se encontram propriamente presentes no recinto físico ou ao lado do medianeiro que lhes serve de instrumento.

Voltando, porém, ao caso específico deste blog, devo explicar – às vezes, eu me esqueço de que estou lidando com pessoas que, embora sejam adeptas da Fé Raciocinada, ainda não se habituaram a pensar — que, após a escrita da página, via digitalização, o médium a imprime e, logo que seja providenciada sua revisão gramatical, ela é postada! Nada mais simples. O que é um livro mediúnico, senão uma “conversa” entre o espírito comunicante e o médium? Em última análise, um livro é um blog impresso!

Há quem, me fazendo provar de meu próprio veneno — a ironia —, pergunte se, na condição de desencarnado, eu não teria mais o que fazer no Mundo Espiritual… Respondo que tenho, sim — ando muito “apertado de costura” —, não obstante, diante da apatia e do comodismo de tantos, quais aqueles que parecem não ter outra coisa que fazer a não ser criticar o esforço alheio, eu me sinto compelido a me desdobrar. Não raro, não vou dizer que me veja como Shiva, o deus hindudotado de mil braços, mas me sinto como uma centopeia!

Sobre a Terra, mormente no Movimento Espírita, são muitos os especialistas em denegrir — curiosamente, são os que menos trabalham! Reparem para vocês verem! Não frequentam a casa espírita, não se ligam a uma atividade assistencial, não se ocupam, eles mesmos, da mediunidade…

Chico Xavier, num de seus raros desabafos ouvidos por mim, disse, certa vez, com a sabedoria de sempre: — “Quando quero que alguém compreenda a sua insignificância e quanto todos precisamos lutar, eu desejo que ele venha a ser médium!…” De minha parte, hoje no Mundo Espiritual, acrescento: – “Desejo que ele venha a ser espírito destacado para trabalhar na mediunidade!…”

Então, meus amigos, é isso aí! Peço desculpas aos internautas inteligentes, aos quais não me dirijo, por ter que me deter em explicações tão óbvias, mas verifico que, para muitos, antes de levar o alimento à sua boca com colher, a gente tem que mastigar a comida, transformando-a em papinha de criança que não tem dentes para triturá-la.

Com o meu abraço, agradecendo-lhes pelo êxito desteblog que lhes pertence, e não a mim — 10.000 visitas em apenas dois meses! —, sempre o amigo e companheiro,

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 29 de setembro de 2009.

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