05/01/2010

 

O espírita verdadeiro, identificado que seja com o Evangelho, é gente muito boa.

É gente humilde, simples, incapaz de magoar a quem seja.

É gente que não derruba a quem, com dificuldade, esteja procurando se firmar de pé, nem se nega a estender a mão a quem lute para se levantar da queda.

É gente que não abre a boca para proferir o menor comentário desairoso sobre os outros, consciente que se encontra de suas imperfeições.

É gente que não faz insinuações maledicentes, não agride, não acusa, não faz campanhas difamatórias contra ninguém.

É gente diuturnamente preocupada com o bem que possa fazer aos semelhantes, não desperdiçando o tesouro do tempo com o que não lhe mereça a aprovação da consciência.

O espírita sincero é gente que fica triste quando não consegue adequar as próprias atitudes ao brilho de seu discurso.

É gente que sabe que não basta saber, porque amar, sim, é imprescindível!

É gente que não disputa o poder, que não ambiciona ganho pessoal abusivo, que não busca vencer à custa do fracasso de quem elege por rival de suas aspirações.

É gente que não se mancomuna com o mal e que, por mais proveitosa, rejeita toda aliança com as Trevas.

É gente que costura para os pobres, que faz sopa, que providencia remédio para os doentes… É gente que dá passes – é gente que ora! É gente que ainda acredita no poder do copinho de água magnetizada… É gente que escreve o nome de alguém no caderno de vibrações do centro espírita, rogando a intercessão do Alto em favor desse alguém!

É gente alegre, dessa alegria boa que contagia o coração de todos, e que os leva a sorrir mesmo quando queiram permanecer de cara trancada.

É gente espontânea, que, à procura do essencial, não se perde nos detalhes.

O espírita que tenta fazer jus à sua condição de discípulo da Verdade, é gente da qual todos sentem tanta falta – quando desencarna ou quando, simplesmente, se vai de nossa presença, privando-nos de sua luz e de sua bondade.

É gente que nos dá segurança, que nos alimenta a fé, que nos incentiva a sermos melhores do que somos…

É gente que nos olha com ternura e, sem uma única palavra, embora se esforçando para aparentar pequenez, nos faz perceber de quanto precisamos ainda crescer para sermos qual ele, ou ela, é.

* * *

Eu tive a felicidade de conhecer alguns espíritas assim, desses que me parecem cada vez mais raros entre nós, mas que – graças a Deus! – ainda existem!

São difíceis de encontrar, porque não aparecem nos jornais, não se mostram na televisão, não disputam cargos de liderança – até na maneira de se trajar são anônimos! Chamam-se simplesmente José ou Maria, Aparecida ou Joaquim, Teresa ou Chico…

Ah!, e por falar em Chico, eu conheci um que era uma“estrela”, mas passou a vida inteira repetindo que era um“cisco”…

Você o conheceu? Não! Que pena! Até aqui, onde estou agora, eu tenho saudades dele!…

O Espiritismo, na Terra, sem ele, ficou pobre!

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 5 de janeiro de 2010.

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