Benjamin Teixeira
pelo espírito Gustavo Henrique.

O que você diria à pessoa que não se perdoa por ter cometido algum erro?

Que ela não é Deus, e que, assim, não cabe a ela se julgar, mas sim ao Criador, que conhece mais nuances da questão que ela própria, como fatores exógenos e endógenos de motivação ao deslize, entre inúmeros elementos de indução e favorecimento do delito ou da transgressão.

Mas se esse tipo de pensamento não a confortar?

Ela terá que carpir o horror da culpa, o inferno do remorso e o crime do desperdício de vida, de tempo, de energia, ao consumir sua saúde, abarrotar seu espaço mental com idéias errôneas, desviando forças e atenção de trabalhos e compromissos essenciais, e, principalmente, por se fazer mais amarga e infeliz com inúmeros outros corações que passam por seu caminho, comportamento esse por que será responsabilizada. Então, o fato de ela não se perdoar faz com que cometa um número ainda maior de erros. É um erro muito maior.

Você dizer isso parece favorecer daqueles ciclos viciosos em que a pessoa já está mal e, ao ouvir tal ou qual coisa, fica ainda pior. Algumas, chegam a cometer suicídio, como é o caso dos criminosos passionais, que, não tendo propriamente tendência homicida, ao menos em nível consciente, entregam-se a um assassínio, num momento de fúria passional e matam um ente amado, matando-se logo em seguida, por não suportarem a dor do que fizeram.

Sim, é verdade que pode ser gerado um ciclo vicioso, se a pessoa se mantiver entregue às suas emoções. Mas a chave para se desfazer o drama, a grande mensagem da crise de consciência é colocar-se a razão acima das emoções, na gerência dos próprios atos e assumir as conseqüências do que se houver feito, para, então, poder trabalhar no ressarcimento das faltas cometidas. Aliás, a atitude de desespero só piora a situação, potencializando o que dissemos acima, já que o réu terá que, não só depois da morte como na próxima reencarnação, arcar com prejuízos muito maiores dos que teria que enfrentar se tentasse "esfriar a cabeça" e tentar recompor o juízo, para agir com bom senso, ao menos depois de já haver cometido um erro grave. A compulsão para cometer novos erros, normalmente mais graves que os primeiros, no afã de se provar para si que não está errado e não admitir a existência dos desvios anteriores, por complexas elaborações de racionalização, é conhecido mecanismo de defesa que encobre a culpa, e deve ser combatido ferrenhamente, já que constitui um dos mais destrutivos processos de auto-sabotagem que existem na alma humana. A dor psíquica de haver cometido o primeiro erro já é enorme, e tenta-se acobertá-la, ironicamente, com a prática de erros ainda maiores, cuja dor por nele incidi-los é, indiscutivelmente, também bem maior. É o equivalente a, escorregando-se nas beiradas de um penhasco, lançar-se no abismo por não se poder subir a encosta. Mas, se a pessoa souber esperar, raciocinar friamente e, orando, pedir a Deus inspiração, disposta a compensar-se pelo equívoco cometido, sempre surgem formas, caminhos e recursos de quitar o débito com a própria consciência.

Muito interessante. Há algo mais que julgue importante dizer a essas pessoas?

Que normalmente se dramatiza muito o mal que se fez, tanto quanto se minimiza o bem se pode fazer. A cultura tem o condão, inclusive, de inverter a ordem dos valores também nesse particular, fazendo com que se preze muito certa natureza de faltas, esquecendo-se outras, muito mais graves, com reais e mais sérias repercussões sobre a própria e a vida de outras pessoas. Além do quê, Deus, Infinito Amor, sempre faz com que o mal que se fez volte diminuído, assim como potencializa o bem que se faz, que retorna multiplicado à fonte d’onde promanou. Quem tem um mínimo de boa vontade para agir no campo do bem e preserva a esperança invariavelmente encontrará meios de se refazer ante os Tribunais da Justiça Divina, muito antes e muito mais facilmente do que imagina.

Muito obrigado, Gustavo Henrique. Seus esclarecimentos serão, creio, muito confortadores para os que nos lêem.

(Diálogo entabulado em 4 de dezembro de 2001.)

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