Não resta dúvida de que os homens se encontram vivenciando, na Terra, uma época de muitas dificuldades – época de difamações, de descrença, de degradação dos valores, de constantes desafios à fé em Deus.

O Espiritismo não poderia estar isento de semelhante convulsão que agita as entranhas morais da Humanidade.

Através da Internet, acusações levianas e ataques maledicentes não poupam os companheiros mais bem-intencionados.

No fundo, o que se deseja é fazer com que o homem retroceda e, de uma vez por todas, desista de ser honesto e de ser bom!

As trevas, com seus representantes encarnados e desencarnados, estão, sim, por trás de tão sombrias articulações, que objetivam desmoralizar a religião e mergulhar o homem no materialismo.

Não é de nosso feitio transferir para os mortos a responsabilidade que pertence aos vivos, todavia forçoso é admitirmos a inegável ação das entidades desencarnadas que, sistematicamente, vêm se opondo às conquistas da civilização, com o intuito de impedirem o avanço espiritual da criatura encarnada.

Os profetas do pessimismo e da incredulidade, agindo, sorrateiramente, nos bastidores da Vida, estão a inspirar os que se lhes tornam “instrumentos” da vontade, arrasando as expectativas do homem em relação à sobrevivência do espírito.

Haja o que houver, é indispensável que nos fortaleçamos contra as artimanhas dos espíritos adversários do Cristo, que prosseguem conspirando contra a edificação do Reino de Deus sobre a Terra.

O tempo que a Humanidade atravessa exige de vigilância redobrada!

Não nos afastemos da oração, da reflexão sadia e, sobretudo, da tarefa enobrecedora.

Evitemos ceder espaço mental ao desalento e à tentação que, não raro, se nos insinuam aos ouvidos através da palavra leviana que alguém nos sussurra em tom confidencial.

Compreendamos as fragilidades dos companheiros e não exijamos deles o que nós próprios ainda não somos, em matéria de perfeição.

A Terra, orbe de expiações e provas, ainda é um planeta com muitos traços de primitivismo, e não será sem muito trabalho que conseguiremos fazer com que ela se eleve na hierarquia dos mundos.

Assim, não nos permitamos escandalizar-nos pelo noticiário deprimente ou pela incoerência daqueles que nos servem como ponto de referência na caminhada.

Todo testemunho é individual e, se a porta é estreita, é porque cada qual será chamado a atravessá-la solitariamente.

Não priorizemos o Conhecimento sobre o Amor, porque, nas atuais circunstâncias, somente o Amor a Deus e ao próximo, vivenciado no cotidiano, será capaz de salvar-nos nos naufrágio quase coletivo ante as ondas furiosas que se arremetem contra a embarcação de nossas esperanças mais caras.

Não nos deixemos abater e sigamos confiantes em que o Cristo, de mãos firmes, prossegue no leme!

Infelizmente, porém, quem não souber fazer-se surdo à cantilena das trevas, nesta época de grandes dificuldades que o Espiritismo faceia, rolará por terra, para encher-se de desencanto e, mais tarde, em circunstâncias quiçá mais difíceis, começar tudo outra vez!

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 16 de março de 2010.

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