A função terapêutica da leitura, das histórias é conhecida há muito tempo. Ramsés III,  o faraó egípcio, mandou gravar na entrada de sua biblioteca, a frase: Remédios para a Alma.  Ele não só tinha razão, como a função terapêutica das histórias passou a ser estudada e utilizada de maneira dirigida.  Os contos de fadas, por exemplo, trazem simbolismos próprios da linguagem do inconsciente, onde a criança que escuta a história, entra em contato com conflitos e dilemas a serem resolvidos, relativos ao seu desenvolvimento. Mas não são apenas as crianças que se beneficiam das histórias, aliás, um campo de estudos ainda pouco desenvolvido no Brasil é a biblioterapia.

Você já pensou se as bibliotecas fossem organizadas não simplesmente por ordem alfabética dos títulos, gênero literário ou nome dos autores, e sim, pela sua possibilidade terapêutica, seu princípio ativo. Ou mesmo, se pudessemos receber prescrições literárias?

A autora Lucélia Paiva, explica como é possível que a leitura cumpra uma função terapêutica:

"O leitor/ouvinte se envolve com a trama e/ou com o personagem da história (envolvimento), promovendo a identificação. Ao identificar-se, pode reconhecer e vivenciar de forma vicária seus sentimentos característicos. Os problemas resolvidos com sucesso farão com que o indivíduo realize uma tensão emocional associada aos seus próprios problemas, atingindo a catarse. Desta forma, pode chegar ao insight, que leva o leitor/ouvinte a aplicar o que aconteceu na história à sua vida pessoal. A semelhança do problema da história leva à aproximação da vida pessoal, tornando-o acessível, atingindo uma etapa final, que seria a universalidade, onde se podem compreender outros problemas similares." (fonte:www.luceliapaiva.com.br)

A explicação de Lucélia, acerca da dinâmica terapêutica das histórias é mais um fundamento interessante do uso de parábolas por Jesus, cumprindo seu papel transformador de maneira atemporal. Não menos interessante é pensarmos sobre a biblioterapia espírita, a função terapêutica tão importante que os livros tem cumprido na vida das pessoas. Acredito que nós poderíamos explorar ainda mais essas possibilidades, lembrando que um livro pode sim, trazer insights, mudanças, alívio ou até um desassossego que impulsiona como diria Fernando Pessoa. As críticas aos livros de auto-ajuda ou romances sem profundidade doutrinária ou livros polêmicos, se tornam irrelevantes quando consideramos que todos eles podem ser úteis dependendo do que o leitor precisa em sua terapêutica. A reserva medicinal espírita é vasta: livros para o desânimo, tristeza, criatividade, perseverança, afetividade, flexibilidade, esperança, fé…

Fique bem claro que a proposta da biblioterapia não é substituir tratamentos indicados, como a própria psicoterapia, digo isso para que você leitor não pense que ler livros nos basta. Quando penso em biblioterapia espírita, logo me vem à mente, o livro "Há dois mil anos" de Emmanuel, psicografia de Chico Xavier. Minha identificação foi intensa com Paulo, suas sombras e sua a possibilidade de regeneração. E você, qual livro te marcou com características terapêuticas?

Um abraço,

Bia

*http://www.perfumeespiritual.blogspot.com/

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