publicado em "O Espírita Mineiro".

POR José Passini

“Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade,
e uma só teoria errônea.” Erasto – O Livro dos Médiuns, item 230

Por reviver a Mensagem Cristã na sua pureza, objetividade e pujança originais, tem
o Espiritismo sofrido ataques ao longo dos tempos. Anos a fio, aqueles incomodados com
os esclarecimentos propiciados pela obra de Kardec promoveram verdadeiros bombardeios,
objetivando descaracterizar a Doutrina  Espírita como religião cristã. Entretanto, como
o bombardeio não alcançou o alvo desejado, decidiram os promotores desencarnados a
mudar a estratégia, trocando o bombardeio pela implosão. O bombardeio sempre é mais notado
pela movimentação de recursos externos, a fim de destruir. A implosão, ao contrário, passa
despercebida até a hora do desmoronamento total.
Cansaram-se as forças contrárias ao  Espiritismo de combatê-la de fora para dentro.
Através dos médiuns usados fora do meio espírita, as trevas não conseguiram desacreditar
a Doutrina, embora tenham-se empenhado por larga faixa de tempo. Pelo contrário, ajudaram
muito na divulgação dos postulados espíritas, porque as acusações falsas e as tentativas de
ridicularização sempre foram rebatidas com a verdade, o que propiciava o conhecimento da
Doutrina Espírita a muitos que dela não tinham notícia.
Por isso, atualmente ninguém sai a público,  através de periódicos ou de livros, na tentativa
de atacar as teses espíritas, numa confrontação aberta, em que haja oportunidade de debate.
Quando muito, uns ataques pela internet, que não exibem endereço para resposta. Vê-se que
o bombardeio vindo de fora quase desapareceu.
As trevas desistiram dessa prática. Agora, o ataque é interno, pela implosão.
Hoje, a treva se empenha em atuar dentro dos arraiais espíritas, usando principalmente
médiuns invigilantes, que publicam tudo o que recebem, sem atentarem para as sábias palavras
do Espírito Erasto, conforme citado acima.
Decidiram, as forças das trevas, não mais atuar confrontando-se, mas fingindo caminhar ao
lado, falando em Jesus, falando no Bem, doando parte do produto das edições de livros e discos
a instituições de amparo, no intuito de criar simpatia e credibilidade.
Mas, de permeio com ensinamentos nobres, estão atitudes ridículas, conversas
banais, e verdadeiras caricaturas de respeitáveis personalidades que deixaram na Terra
testemunho de trabalho e dignidade, agora mostradas como pessoas vulgares e desprovidas
do nível de seriedade que sempre mantiveram enquanto encarnadas.
Existe uma verdadeira avalanche de obras fantasiosas que pretendem trazer novidades,
que vão desde o comentário leviano que invade a intimidade de pessoas, a pretensas revelações
de novos pontos doutrinários. São obras capazes de causar admiração naqueles que não estudam
e, por isso mesmo, se encantam e não observam que o objetivo maior delas é levar o Espiritismo
ao descrédito.
Não podendo, os inimigos da Verdade, combater o Espiritismo no campo das idéias,
procuram minimizá-la, banalizá-la através de diálogos pueris que, apresentando-se como
linguagem descontraída, mais se assemelham à conversa descompromissada
de uma roda de amigos do que a comentários em torno de temas doutrinários. Nessa
tentativa de apequenamento da mensagem espírita, valemse de tudo, até de humorismo
barato, que tem aparecido através de médiuns fascinados, que ainda
não atentaram para a milenar advertência: “Amados, não creiais a todo o espírito, mas
provai se os espíritos são de Deus; porque já muitos falsos profetas se têm levantado
no mundo”. (I Jo, 4: 1).
Essa advertência do apóstolo João nunca encontrou tanta aplicabilidade
como agora! É tempo de as livrarias espíritas analisarem com cuidado as obras que divulgam.
Não se trata do estabelecimento de um índex, mas de um critério para constatar o que é Espiritismo e o que não é, visto que, ao divulgar uma obra – seja um folheto, um disco ou um livro
– um estabelecimento espírita está, automaticamente, pelo menos para o leigo – e é justamente esse que deve ser orientado – legitimando o valor e a fidelidade daquela obra quanto às bases doutrinárias. É chegada a hora de se alertar o irmão que se deixou envolver, apontando-lhe os
equívocos, e não se calando, a pretexto de um falso sentimento de fraternidade. O compromisso
com a Verdade foi claramente declarado por Jesus: “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim.
Não, não, porque o que passa disto é de procedência maligna.” (Mt, 5:37).
Aos que acham que esse procedimento não é consentâneo com a liberdade que o Espiritismo confere aos seus profitentes, deve ser lembrado que sempre há um critério na seleção do que se entrega
ao público numa casa que ostente o nome “espírita”, pois o critério deve caminhar ao lado
da liberdade, uma vez que, em nome desta, ninguém concordaria que um estabelecimento
espírita divulgasse todos os tipos de livros e revistas que são expostos em bancas e livrarias.
Oportuna nessa hora, a recomendação do apóstolo Paulo: “Todas as coisas me são lícitas,
mas nem todas as coisas me convêm (…).” (I Co,6: 12).

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